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COLUNISTAS

Envelhecer no Brasil: Já nasceu quem viverá 150 anos.

11/11/2025 11h35 | Atualizada em 11/11/2025 11h35 | Por: Daisson Trevisol
Foto: Reprodução

O tema da redação do Enem 2025 — “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira” — não poderia ser mais oportuno. Em um país que envelhece em ritmo acelerado, pensar sobre o futuro da longevidade é mais do que um exercício acadêmico: é uma necessidade urgente.

Segundo o IBGE, a população brasileira com 60 anos ou mais cresceu 56% entre 2010 e 2022, atingindo 32,1 milhões de pessoas, o equivalente a 15,6% da população total. E as projeções são ainda mais impressionantes: até 2070, quase 38% dos brasileiros serão idosos. Em 2023, pela primeira vez, os idosos superaram os jovens de 15 a 24 anos em número, marcando uma virada demográfica histórica. 

Mas o que isso significa para o Brasil?

O Desafio da Longevidade

A transição demográfica brasileira é uma das mais rápidas do mundo. Enquanto países como França levaram mais de um século para dobrar sua população idosa, o Brasil fará isso em apenas 25 anos. E não estamos preparados. 

O envelhecimento traz consigo uma nova cartografia de doenças: Alzheimer, AVC, hipertensão, câncer e demências já lideram as causas de incapacidade entre os idosos. O Sistema Único de Saúde (SUS), embora universal e gratuito, enfrenta dificuldades para acompanhar essa demanda crescente. Faltam profissionais especializados, infraestrutura adequada e políticas públicas que promovam o envelhecimento ativo e saudável. 

A Pessoa que Viverá 150 Anos Já Nasceu

Parece ficção científica, mas é ciência. O geneticista David Sinclair, da Universidade de Harvard, afirma que a primeira pessoa que viverá até os 150 anos já nasceu. Pesquisas em reprogramação epigenética — capazes de “resetar” o relógio biológico das células — já mostraram resultados promissores em animais. Os primeiros testes em humanos devem começar em 2026, e até 2035, uma “pílula rejuvenescedora” pode estar disponível. 

Mas viver mais exige viver bem. E aqui está o ponto crítico: o Brasil não está preparado para envelhecer com dignidade. A longevidade não pode ser privilégio de poucos. Ela precisa ser um direito garantido por políticas públicas eficazes, infraestrutura acessível e um sistema de saúde que não apenas trate doenças, mas promova qualidade de vida.

Uma Crítica Necessária (e Construtiva)

Nosso sistema de saúde ainda opera de forma reativa, voltado para a urgência e não para a prevenção. O cuidado com o idoso é fragmentado, muitas vezes negligenciado, e sobrecarrega famílias — especialmente mulheres, que assumem o papel de cuidadoras sem apoio institucional. 

É preciso repensar o modelo assistencial, investir em atenção primária, centros de convivência, educação gerontológica e tecnologia assistiva. O envelhecimento não é um problema — é uma conquista da humanidade. Mas sem planejamento, pode se tornar um desafio insustentável.

O Futuro é Agora

Se a pessoa que viverá 150 anos já nasceu, ela está entre nós. E talvez esteja lendo esta coluna. O que estamos fazendo hoje para garantir que ela — e todos nós — envelheçamos com saúde, autonomia e dignidade?
O Enem 2025 nos convida a refletir sobre isso. Que essa reflexão não fique apenas no papel, mas inspire ações concretas. Porque o futuro da longevidade começa agora.

Confira na integra e com imagens clicando AQUI.
 

 

Os desafios éticos da inteligência artificial na saúde

04/11/2025 14h40 | Atualizada em 04/11/2025 14h44 | Por: Daisson Trevisol
Foto: Reprodução

A inteligência artificial (IA) tem avançado de forma impressionante nos últimos anos e se tornado uma ferramenta cada vez mais presente na área da saúde. Seu uso promete diagnósticos mais rápidos, tratamentos personalizados e redução de erros médicos. De fato, com acesso a uma imensa quantidade de dados, a IA consegue oferecer análises e soluções que, muitas vezes, ultrapassam a capacidade humana de processamento de informações.

No entanto, junto com os benefícios, surgem também questionamentos e riscos que precisam ser discutidos. Será que estamos realmente prontos para lidar com os dilemas éticos que acompanham essa tecnologia?

Um dos principais pontos de atenção é a responsabilidade pelos erros. Se um algoritmo falhar em um diagnóstico ou indicar um tratamento equivocado, quem deve ser responsabilizado? O médico, o hospital ou a empresa que desenvolveu a tecnologia? A falta de regulamentação específica sobre o uso da IA na saúde ainda é um problema sério e precisa ser debatida com urgência.

Outro aspecto preocupante é o viés nos dados. Como os sistemas de IA aprendem a partir das informações disponíveis na internet e em bancos de dados, eles podem reproduzir preconceitos, desigualdades e distorções já existentes. Isso pode resultar em decisões injustas e até perigosas para determinados grupos de pacientes.

A privacidade também está em jogo. Milhões de dados sensíveis circulam diariamente em plataformas digitais, e qualquer falha de segurança pode levar a vazamentos e ao uso indevido dessas informações.

É importante lembrar que, por mais avançada que seja, a inteligência artificial nunca substituirá o julgamento humano. Ela deve ser usada como uma aliada, uma ferramenta de apoio que facilite o trabalho dos profissionais de saúde e contribua para diagnósticos e tratamentos mais precisos.

Para isso, é fundamental que haja regulamentação clara, transparência nos algoritmos e capacitação dos profissionais que vão utilizar essas tecnologias. A IA tem potencial para salvar vidas — mas, sem responsabilidade e preparo, pode também causar danos.

Cabe a nós aprender, treinar e usar essa ferramenta de forma consciente, transformando-a em uma verdadeira parceira da saúde e do cuidado com as pessoas.

Confira a coluna na integra clicando AQUI.

 

Cresce o número de casos de câncer no Brasil: avanço no diagnóstico e estilo de vida estão entre as causas

29/10/2025 09h07 | Atualizada em 29/10/2025 09h10 | Por: Daisson Trevisol
Foto: Reprodução

Nos últimos anos, o aumento no número de casos de câncer tem gerado preocupação entre especialistas e na população em geral. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 700 mil pessoas foram diagnosticadas com a doença no Brasil nos últimos dois anos. Quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma, o número ainda impressiona: aproximadamente 500 mil novos casos.

Os tipos mais comuns continuam sendo câncer de mama, próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e colo do útero. Parte desse crescimento está ligada a um fator positivo: o avanço dos métodos de diagnóstico. Com o acesso cada vez maior a exames e tecnologias, é possível detectar a doença mais cedo, o que aumenta as chances de tratamento e cura.

No entanto, o aumento também reflete mudanças preocupantes no estilo de vida moderno. O sedentarismo, a má alimentação, a obesidade, o consumo de álcool e o tabagismo continuam sendo responsáveis por cerca de um terço dos casos de câncer. Além disso, poluentes ambientais, radiações eletromagnéticas, uso excessivo de dispositivos eletrônicos e hormônios em alimentos têm sido apontados como fatores que contribuem para o surgimento da doença.

Outro aspecto que influencia nas estatísticas é o envelhecimento da população. Com o aumento da expectativa de vida, cresce também a probabilidade de desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.

Apesar do cenário desafiador, há motivos para otimismo. A medicina tem evoluído de forma expressiva com imunoterapias, terapias-alvo e tratamentos personalizados, que tornam o combate à doença cada vez mais eficaz. Pesquisas em andamento também estudam vacinas que possam atuar de forma específica contra alguns tumores, embora ainda seja cedo para falar em resultados concretos.

Mais do que nunca, especialistas reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, além do fortalecimento das políticas públicas de saúde.

Confira o video na intergra clicando AQUI.

 

Mortes evitáveis e o desafio de resgatar a essência da medicina

22/10/2025 09h00 | Atualizada em 22/10/2025 15h39 | Por: Daisson Trevisol
Foto: Reprodução

O Brasil e o mundo enfrentam um grave problema que passa despercebido por muitos: as mortes evitáveis. Nos últimos tempos, o número de pessoas que perdem a vida por causas que poderiam ter sido prevenidas tem crescido de forma alarmante. São bebês, crianças, adolescentes, jovens e adultos que morrem em situações que poderiam ser evitadas com atenção, preparo e responsabilidade.

Em meio a esse cenário, surgem acusações infundadas de que vacinas seriam responsáveis por algumas dessas mortes. É importante reafirmar que as vacinas salvam vidas. Elas são seguras, eficazes e fundamentais para a saúde pública. Assim como qualquer intervenção médica, apresentam riscos, mas esses são mínimos diante dos benefícios. O verdadeiro problema está nos erros evitáveis, que seguem sendo cometidos em larga escala.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,6 milhões de pessoas morrem todos os anos no mundo por erros evitáveis, o equivalente a cinco mortes por minuto. No Brasil, são 60 mil mortes por ano, o que equivale à queda de um avião por dia.

Essas tragédias têm diversas causas: profissionais mal formados, uso indevido de substâncias perigosas como anabolizantes e hormônios, diagnósticos falhos, hospitais sem estrutura e um sistema de saúde fragilizado pela falta de investimento e, muitas vezes, pelo descaso.

A chegada da inteligência artificial na medicina trouxe avanços significativos, mas também novos riscos. Muitos profissionais têm estudado menos, terceirizado o raciocínio clínico e perdido a capacidade de pensar criticamente, de questionar e, principalmente, de cuidar das pessoas. A tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas não pode substituir o olhar humano, a ética e a empatia.

A medicina precisa voltar às suas raízes, ao conhecimento profundo, à humanização e à responsabilidade. Quando o cuidado com a saúde é guiado pela superficialidade, quem paga o preço são os pacientes.

Seis mortes por hora no Brasil, cinco por minuto no mundo. Esses números não são estatísticas frias, são vidas perdidas que exigem reflexão, compromisso e ação imediata.

Uma boa semana a todos e que ela seja de reflexão e mudança.

Confira mais no video abaixo ou clicando AQUI.

 

Tragédia do metanol expõe falhas graves na fiscalização e no controle de bebidas no Brasil

14/10/2025 15h02 | Atualizada em 14/10/2025 15h01 | Por: Daisson Trevisol

O Brasil enfrenta uma tragédia silenciosa e devastadora: a intoxicação por metanol. Nas últimas semanas, casos de mortes e internações chamaram a atenção para o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, produtos que deveriam conter álcool etílico, mas que, de forma criminosa, foram fabricados com metanol, uma substância altamente tóxica usada na indústria.

O metanol é letal mesmo em pequenas quantidades. Sua ingestão pode causar cegueira e, em doses maiores, levar à morte. O uso dessa substância em bebidas clandestinas é uma prática criminosa e revela muito mais do que um problema de saúde pública, é um sintoma de um sistema de fiscalização que vem falhando há anos.

Hoje, a responsabilidade de fiscalizar a produção e comercialização de bebidas no país é compartilhada entre o Ministério da Agricultura e Pecuária, as Vigilâncias Sanitárias estaduais e municipais e a Receita Federal. No entanto, o que se observa é uma falta de integração entre esses órgãos, ausência de rastreabilidade dos produtos e um modelo que prioriza a arrecadação de impostos, e não a qualidade e segurança dos consumidores.

Os selos fiscais, que deveriam atestar a regularidade do produto, não garantem a qualidade da bebida nem a autenticidade da sua origem. Pior: esses selos têm sido falsificados, tornando o sistema ainda mais vulnerável.

A chamada crise do metanol não é um acidente isolado, mas o resultado de anos de negligência e desmonte de mecanismos de controle. Sem um modelo robusto, integrado e transparente, tragédias como essa continuarão a acontecer.

É urgente que o governo adote medidas efetivas de fiscalização, rastreabilidade e punição aos responsáveis. Cada garrafa adulterada representa não apenas um crime, mas uma ameaça real à vida de milhares de brasileiros.

Boa semana a todos e que cobremos juntos ações concretas para evitar novas perdas irreparáveis.

 

Daisson Trevisol

Saúde em Destaque

Professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UNISUL e da Medicina, com mais de 20 anos de experiência na área da saúde e gestão pública. Foi Secretário Municipal de Saúde, presidente do COSEMS-SC e diretor do CONASEMS. É mestre em Saúde Coletiva, doutor em Ciências Cardiovasculares pela UFRGS e possui MBA em Liderança e Gestão em Saúde pelo Einstein. Atualmente, é diretor executivo do Laboratório Santa Catarina.

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