Foto: Reprodução A inteligência artificial (IA) tem avançado de forma impressionante nos últimos anos e se tornado uma ferramenta cada vez mais presente na área da saúde. Seu uso promete diagnósticos mais rápidos, tratamentos personalizados e redução de erros médicos. De fato, com acesso a uma imensa quantidade de dados, a IA consegue oferecer análises e soluções que, muitas vezes, ultrapassam a capacidade humana de processamento de informações.
No entanto, junto com os benefícios, surgem também questionamentos e riscos que precisam ser discutidos. Será que estamos realmente prontos para lidar com os dilemas éticos que acompanham essa tecnologia?
Um dos principais pontos de atenção é a responsabilidade pelos erros. Se um algoritmo falhar em um diagnóstico ou indicar um tratamento equivocado, quem deve ser responsabilizado? O médico, o hospital ou a empresa que desenvolveu a tecnologia? A falta de regulamentação específica sobre o uso da IA na saúde ainda é um problema sério e precisa ser debatida com urgência.
Outro aspecto preocupante é o viés nos dados. Como os sistemas de IA aprendem a partir das informações disponíveis na internet e em bancos de dados, eles podem reproduzir preconceitos, desigualdades e distorções já existentes. Isso pode resultar em decisões injustas e até perigosas para determinados grupos de pacientes.
A privacidade também está em jogo. Milhões de dados sensíveis circulam diariamente em plataformas digitais, e qualquer falha de segurança pode levar a vazamentos e ao uso indevido dessas informações.
É importante lembrar que, por mais avançada que seja, a inteligência artificial nunca substituirá o julgamento humano. Ela deve ser usada como uma aliada, uma ferramenta de apoio que facilite o trabalho dos profissionais de saúde e contribua para diagnósticos e tratamentos mais precisos.
Para isso, é fundamental que haja regulamentação clara, transparência nos algoritmos e capacitação dos profissionais que vão utilizar essas tecnologias. A IA tem potencial para salvar vidas — mas, sem responsabilidade e preparo, pode também causar danos.
Cabe a nós aprender, treinar e usar essa ferramenta de forma consciente, transformando-a em uma verdadeira parceira da saúde e do cuidado com as pessoas.
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Saúde em Destaque
Professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UNISUL e da Medicina, com mais de 20 anos de experiência na área da saúde e gestão pública. Foi Secretário Municipal de Saúde, presidente do COSEMS-SC e diretor do CONASEMS. É mestre em Saúde Coletiva, doutor em Ciências Cardiovasculares pela UFRGS e possui MBA em Liderança e Gestão em Saúde pelo Einstein. Atualmente, é diretor executivo do Laboratório Santa Catarina.
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