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COLUNISTAS

O lucro que escapa pelos detalhes

11/03/2026 08h12 | Atualizada em 11/03/2026 08h13 | Por: Maurício Dobiez

Existe um ditado popular que diz: “De grão em grão, a galinha enche o papo.”
No mundo empresarial, a lógica também funciona — mas muitas vezes ao contrário.
De pequeno custo em pequeno custo, muitas empresas vão enchendo o prejuízo sem perceber.
Não estou falando apenas de grandes erros estratégicos.
Na maioria das vezes, o problema está nos custos invisíveis, aqueles que não aparecem de forma clara nos relatórios ou que simplesmente deixam de ser analisados.
São pequenas decisões diárias que parecem irrelevantes isoladamente, mas que somadas ao longo dos meses corroem o resultado.
Entre os mais comuns, destaco alguns:
* processos ineficientes que fazem a equipe perder tempo
* retrabalho constante por falta de organização
* inadimplência sem uma régua de cobrança estruturada
* compras mal negociadas
* falta de controle sobre indicadores básicos do negócio
* decisões tomadas mais pela intuição do que pelos números
O curioso é que muitas empresas se preocupam muito com aumentar o faturamento, mas dedicam pouco tempo para entender onde o lucro está escapando.
E aqui está um ponto importante:
crescer faturamento sem gestão pode significar crescer prejuízo.
Empresas saudáveis não são apenas aquelas que vendem mais.
São aquelas que entendem profundamente seus números.
Elas sabem:
* quanto custa cada processo
* qual cliente é realmente rentável
* onde estão os desperdícios
* e quais decisões impactam diretamente o caixa.
No fim das contas, gestão empresarial é menos sobre “trabalhar mais” e muito mais sobre enxergar melhor.
Porque quando o empresário passa a olhar os números com atenção, muitas surpresas aparecem.
E quase sempre a maior delas é descobrir que o problema nunca foi vender pouco.
Era simplesmente não saber onde estava perdendo dinheiro.

Queime os barcos

26/02/2026 08h59 | Atualizada em 26/02/2026 09h00 | Por: Maurício Dobiez

Em 1519, o comandante espanhol Hernán Cortés desembarcou no México com pouco mais de 500 homens para enfrentar um império inteiro.

Antes mesmo da batalha começar, ele percebeu algo mais perigoso do que o inimigo externo: a dúvida dentro do próprio time.

Alguns soldados já pensavam em voltar.
Desistir.
Abortar a missão.

Eles tinham um plano B: os navios.

Foi então que Cortés tomou uma decisão radical — mandou inutilizar todas as embarcações. Queimadas, afundadas ou desmontadas, pouco importa. O fato é que não havia mais como recuar.

Sem barcos, só restavam duas opções: avançar ou fracassar ali mesmo.

Essa atitude nunca foi sobre coragem. Foi sobre estratégia.

Enquanto existe uma saída confortável, o comprometimento nunca é total. Quando o plano B está disponível, o plano A recebe apenas parte da energia.

E é exatamente isso que vejo todos os dias no mundo empresarial.

Muitos empresários dizem que querem crescer, mas mantêm portas abertas para voltar atrás. Querem resultado, mas não abrem mão da zona de conforto. Falam em expansão, mas seguem operando no modo sobrevivência.

O problema não é falta de conhecimento.
Não é falta de oportunidade.
Na maioria das vezes, é falta de decisão.

Resultado não nasce de motivação. Nasce de comprometimento.

Planejamento estratégico só funciona quando vem acompanhado de execução diária. Meta só vira realidade quando existe cobrança, acompanhamento e disciplina. E liderança de verdade não é fazer discurso bonito — é criar um ambiente onde não existe fuga, onde os números são claros e a responsabilidade é compartilhada.

“Queimar os barcos” virou metáfora para assumir decisões sem retorno, cortar alternativas fáceis e parar de negociar com a própria disciplina.

No mundo real, isso significa:

– parar de adiar decisões difíceis
– abandonar projetos que não entregam resultado
– focar no que realmente move o negócio
– executar todos os dias, mesmo quando não dá vontade

Empresas não quebram por falta de ideias. Quebram por excesso de distração.

Se você quer um próximo nível, precisa escolher um caminho — e sustentar essa escolha.

Enquanto houver barcos ancorados, o avanço será lento.

Mas quando você decide de verdade, elimina o plano B e assume o compromisso com o plano A, algo muda.

A execução acelera.
O foco aumenta.
Os resultados aparecem.

No fim, a pergunta é simples:

você está navegando…
ou já queimou os barcos?

— Maurício Dobiez

2026 não é um ano difícil. É um ano revelador.

10/02/2026 11h00 | Atualizada em 10/02/2026 11h01 | Por: Maurício Dobiez

É comum ouvir, nas conversas entre empresários, que 2026 começou mais pesado. Custos mais visíveis, margens mais apertadas, fluxo de caixa pressionado e decisões que já não podem mais ser tomadas no improviso. A reforma tributária começou a sair do discurso e entrou na rotina das empresas. O problema não é o cenário. O problema é como muitas empresas entraram nele.

O que antes dava para compensar com volume, hoje exige eficiência. O que antes se resolvia no feeling, agora pede número. O que antes ficava escondido na operação, agora aparece no caixa. E isso está expondo fragilidades que sempre existiram, mas eram maquiadas por crescimento, inflação ou movimento de mercado.

Vejo empresas com faturamento, mercado e bons produtos sofrendo não por falta de cliente, mas por falta de estrutura. Falta planejamento tributário claro, falta controle financeiro confiável, faltam processos definidos e, principalmente, falta estratégia. A reforma tributária não veio para quebrar empresas. Ela veio para separar quem gere de quem improvisa.

E é exatamente aqui que entra o planejamento estratégico — não como algo sofisticado ou distante, mas como ferramenta básica de sobrevivência. Planejar agora significa entender impacto tributário, revisar preços, organizar custos, projetar cenários, fortalecer o caixa e alinhar toda a empresa para decisões mais conscientes. Significa parar de reagir e começar a conduzir.

Quem ignora isso vai sentir aos poucos: mais retrabalho, mais desgaste, mais pressão e menos margem. Não é uma quebra repentina. É um cansaço contínuo de quem trabalha muito e avança pouco. É o empresário que vive ocupado, mas não cresce. Que vende, mas não prospera. Que fatura, mas não acumula.

2026 não separa empresas grandes de pequenas. Separa empresas organizadas das improvisadas. E quanto mais o ambiente fica técnico, regulado e competitivo, menos espaço sobra para gestão intuitiva.

Aqui vai a parte mais dura: esperar o cenário “ficar melhor” não é estratégia. É aposta. O empresário que atravessar esse ano sem revisar sua estrutura, sem investir em gestão, sem entender seus números e sem um plano claro para os próximos passos não estará sendo conservador — estará sendo negligente com o próprio negócio.

Porque enquanto alguns estão paralisados pela incerteza, outros já estão ajustando preços, revendo modelos tributários, fortalecendo equipes e construindo vantagem competitiva. O mercado não vai esperar você se sentir confortável.

A pergunta que 2026 impõe não é se o ambiente está difícil. A pergunta é se a sua empresa está profissional o suficiente para sobreviver a ele.

E se a resposta ainda for “mais ou menos”, talvez o risco não esteja na economia. Talvez esteja na sua gestão.

2026 já começou. Planejamento sem processos vira discurso.

27/01/2026 15h00 | Atualizada em 27/01/2026 15h07 | Por: Maurício Dobiez

Estamos na última semana de janeiro de 2026.

Isso significa que o planejamento deixou de ser intenção e passou a ser execução. E é justamente agora que muitas empresas descobrem um problema clássico: planejar sem organizar processos não sustenta resultado.

- Meta sem processo vira pressão.
- Processo sem revisão vira atraso.

Um dos primeiros erros que vejo nas empresas é tratar a meta como algo anual, distante, quase abstrato. Meta boa é aquela que vira ritmo. Por isso, quebrar a meta anual em metas semanais — as 52 semanas do ano — transforma planejamento em acompanhamento real. O empresário para de “esperar o ano acabar” para saber se deu certo.

Outro ponto essencial é revisar o plano orçamentário logo no início do ano. Janeiro não é mês de repetir números por inércia. É o momento de alinhar orçamento com a realidade, cortar excessos, ajustar investimentos e garantir que o caixa sustente o crescimento planejado.

Mas planejamento não vive só no papel. Ele precisa ser comunicado. O kick-off com a equipe, mostrando claramente a direção da empresa, é um processo decisivo. Quando o time entende para onde a empresa vai, as decisões do dia a dia passam a fazer mais sentido.

E aqui entra uma parte que muitos evitam falar, mas que é fundamental: planejamento também é exclusão.
Excluir processos que não funcionam.
Excluir rotinas que só consomem energia.
E, quando necessário, excluir pessoas que não acompanharam a energia, o ritmo e a cultura que 2026 exige.

Outro processo crítico é a revisão da base inativa e dos leads parados no CRM. Empresas perdem dinheiro todos os meses por não revisarem o que já está dentro de casa. Lead esquecido é oportunidade desperdiçada. Processo bem definido transforma dado parado em ação.

Rotina também precisa de método. Definir uma rotina clara, organizada e não negociável evita que a empresa funcione no improviso. O que não tem horário, responsável e acompanhamento simplesmente não acontece.

Tudo isso reforça uma verdade simples, mas dura:
o CNPJ precisa crescer mais do que o CPF do dono.

Se a empresa depende exclusivamente do esforço pessoal do empresário, o problema não é falta de dedicação — é falta de processo.

2026 já está rodando.
Agora não é mais sobre planejar melhor, é sobre organizar melhor a execução.

Empresas que ajustam seus processos agora ganham clareza, velocidade e resultado. As que não fazem isso passam o ano inteiro apagando incêndios e chamando isso de gestão.

Planejamento sem processo é discurso.
Processo bem definido é o que transforma 2026 em um ano de avanço real.

O ano só muda quando você muda a direção

03/12/2025 15h52 | Atualizada em 03/12/2025 15h52 | Por: Maurício Dobiez
Foto: Divulgação

Dezembro sempre chega com a mesma sensação: um misto de alívio, exaustão e promessa.
Empresários de todos os setores dizem a frase mais repetida do mundo dos negócios:

“Ano que vem vai ser diferente.”

Mas a verdade é mais dura:
o ano não muda porque o calendário virou.
O ano muda porque você muda a direção.

2025 foi um ano de contrastes.
Tivemos crescimento em alguns setores, retração em outros, instabilidade política, mudanças tributárias, aumento na competitividade e, principalmente, um ambiente empresarial mais exigente do que nunca.
Hoje, qualquer negócio precisa ser rápido, organizado e estratégico — não dá mais para viver apenas de improviso e força de vontade.

E é aí que muitos empresários se complicam.

Trabalham demais, dormem de menos, resolvem tudo ao mesmo tempo e, mesmo assim, têm a sensação de que a empresa “anda, mas não sai do lugar”.
Não falta esforço.
Falta método.

O improviso pode até te trazer até aqui.
Mas é o planejamento que te leva adiante.

Estamos às portas de 2026, e este é o melhor momento do ano para encarar uma pergunta que poucos têm coragem de responder com sinceridade:

A sua empresa está pronta para o próximo ano?

Pronta de verdade:
— Com metas claras?
— Com equipe alinhada?
— Com processos funcionando?
— Com indicadores vivos?
— Com rotinas estruturadas?
— Com estratégia definida?

Ou você está apenas torcendo para que as coisas melhorem?

A diferença entre quem cresce e quem sofre em 2026 estará em uma única palavra:
direção.

Planejamento não é luxo.
Não é “frescura de empresa grande”.
É o básico bem-feito que 90% das pequenas e médias empresas ignoram — e é exatamente por isso que tantas ficam pelo caminho.

Fazer planejamento estratégico é olhar para três dimensões fundamentais:

1. Onde estamos?
Diagnosticar o momento atual sem mascarar a realidade.

2. Para onde queremos ir?
Definir metas possíveis, claras e mensuráveis.

3. O que precisamos fazer para chegar lá?
Traçar estratégias, projetos e rotinas semanais.

Simples.
Direto.
Aplicável.

O grande erro não é não planejar.
O grande erro é planejar e não executar.
Planejamento que não vira rotina vira enfeite.
E empresa sem direção é empresa refém da urgência.

Por isso, antes de entrar em 2026, faça um compromisso com você mesmo: escolha parar, pensar, organizar, definir prioridades e alinhar sua equipe.
Planejar dá trabalho — mas o trabalho sem planejamento custa muito mais caro.

2026 pode ser o melhor ano da sua empresa…
ou apenas mais um ano.

A diferença estará na forma como você começa.

Maurício Dobiez

Maurício Dobiez

Formado em Ciências Contábeis e Pós-Graduado em Gerência Contábil, foi professor universitário por 8 anos. É sócio da HOLD Contabilidade e da Terceirizou – Terceirização Financeira, além de atuar como investidor em empresas de segmentos diversificados. Colunista do jornal Folha Regional e da Rádio Hiper, também é diretor em duas Associações de Mútuo Benefícios. Foi presidente do Hercílio Luz Futebol Clube e exerceu cargos de liderança no CEJESC e na AJET, consolidando uma trajetória de gestão e representatividade.

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