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COLUNISTAS

2026 não é um ano difícil. É um ano revelador.

10/02/2026 11h00 | Atualizada em 10/02/2026 11h01 | Por: Maurício Dobiez

É comum ouvir, nas conversas entre empresários, que 2026 começou mais pesado. Custos mais visíveis, margens mais apertadas, fluxo de caixa pressionado e decisões que já não podem mais ser tomadas no improviso. A reforma tributária começou a sair do discurso e entrou na rotina das empresas. O problema não é o cenário. O problema é como muitas empresas entraram nele.

O que antes dava para compensar com volume, hoje exige eficiência. O que antes se resolvia no feeling, agora pede número. O que antes ficava escondido na operação, agora aparece no caixa. E isso está expondo fragilidades que sempre existiram, mas eram maquiadas por crescimento, inflação ou movimento de mercado.

Vejo empresas com faturamento, mercado e bons produtos sofrendo não por falta de cliente, mas por falta de estrutura. Falta planejamento tributário claro, falta controle financeiro confiável, faltam processos definidos e, principalmente, falta estratégia. A reforma tributária não veio para quebrar empresas. Ela veio para separar quem gere de quem improvisa.

E é exatamente aqui que entra o planejamento estratégico — não como algo sofisticado ou distante, mas como ferramenta básica de sobrevivência. Planejar agora significa entender impacto tributário, revisar preços, organizar custos, projetar cenários, fortalecer o caixa e alinhar toda a empresa para decisões mais conscientes. Significa parar de reagir e começar a conduzir.

Quem ignora isso vai sentir aos poucos: mais retrabalho, mais desgaste, mais pressão e menos margem. Não é uma quebra repentina. É um cansaço contínuo de quem trabalha muito e avança pouco. É o empresário que vive ocupado, mas não cresce. Que vende, mas não prospera. Que fatura, mas não acumula.

2026 não separa empresas grandes de pequenas. Separa empresas organizadas das improvisadas. E quanto mais o ambiente fica técnico, regulado e competitivo, menos espaço sobra para gestão intuitiva.

Aqui vai a parte mais dura: esperar o cenário “ficar melhor” não é estratégia. É aposta. O empresário que atravessar esse ano sem revisar sua estrutura, sem investir em gestão, sem entender seus números e sem um plano claro para os próximos passos não estará sendo conservador — estará sendo negligente com o próprio negócio.

Porque enquanto alguns estão paralisados pela incerteza, outros já estão ajustando preços, revendo modelos tributários, fortalecendo equipes e construindo vantagem competitiva. O mercado não vai esperar você se sentir confortável.

A pergunta que 2026 impõe não é se o ambiente está difícil. A pergunta é se a sua empresa está profissional o suficiente para sobreviver a ele.

E se a resposta ainda for “mais ou menos”, talvez o risco não esteja na economia. Talvez esteja na sua gestão.

2026 já começou. Planejamento sem processos vira discurso.

27/01/2026 15h00 | Atualizada em 27/01/2026 15h07 | Por: Maurício Dobiez

Estamos na última semana de janeiro de 2026.

Isso significa que o planejamento deixou de ser intenção e passou a ser execução. E é justamente agora que muitas empresas descobrem um problema clássico: planejar sem organizar processos não sustenta resultado.

- Meta sem processo vira pressão.
- Processo sem revisão vira atraso.

Um dos primeiros erros que vejo nas empresas é tratar a meta como algo anual, distante, quase abstrato. Meta boa é aquela que vira ritmo. Por isso, quebrar a meta anual em metas semanais — as 52 semanas do ano — transforma planejamento em acompanhamento real. O empresário para de “esperar o ano acabar” para saber se deu certo.

Outro ponto essencial é revisar o plano orçamentário logo no início do ano. Janeiro não é mês de repetir números por inércia. É o momento de alinhar orçamento com a realidade, cortar excessos, ajustar investimentos e garantir que o caixa sustente o crescimento planejado.

Mas planejamento não vive só no papel. Ele precisa ser comunicado. O kick-off com a equipe, mostrando claramente a direção da empresa, é um processo decisivo. Quando o time entende para onde a empresa vai, as decisões do dia a dia passam a fazer mais sentido.

E aqui entra uma parte que muitos evitam falar, mas que é fundamental: planejamento também é exclusão.
Excluir processos que não funcionam.
Excluir rotinas que só consomem energia.
E, quando necessário, excluir pessoas que não acompanharam a energia, o ritmo e a cultura que 2026 exige.

Outro processo crítico é a revisão da base inativa e dos leads parados no CRM. Empresas perdem dinheiro todos os meses por não revisarem o que já está dentro de casa. Lead esquecido é oportunidade desperdiçada. Processo bem definido transforma dado parado em ação.

Rotina também precisa de método. Definir uma rotina clara, organizada e não negociável evita que a empresa funcione no improviso. O que não tem horário, responsável e acompanhamento simplesmente não acontece.

Tudo isso reforça uma verdade simples, mas dura:
o CNPJ precisa crescer mais do que o CPF do dono.

Se a empresa depende exclusivamente do esforço pessoal do empresário, o problema não é falta de dedicação — é falta de processo.

2026 já está rodando.
Agora não é mais sobre planejar melhor, é sobre organizar melhor a execução.

Empresas que ajustam seus processos agora ganham clareza, velocidade e resultado. As que não fazem isso passam o ano inteiro apagando incêndios e chamando isso de gestão.

Planejamento sem processo é discurso.
Processo bem definido é o que transforma 2026 em um ano de avanço real.

O ano só muda quando você muda a direção

03/12/2025 15h52 | Atualizada em 03/12/2025 15h52 | Por: Maurício Dobiez
Foto: Divulgação

Dezembro sempre chega com a mesma sensação: um misto de alívio, exaustão e promessa.
Empresários de todos os setores dizem a frase mais repetida do mundo dos negócios:

“Ano que vem vai ser diferente.”

Mas a verdade é mais dura:
o ano não muda porque o calendário virou.
O ano muda porque você muda a direção.

2025 foi um ano de contrastes.
Tivemos crescimento em alguns setores, retração em outros, instabilidade política, mudanças tributárias, aumento na competitividade e, principalmente, um ambiente empresarial mais exigente do que nunca.
Hoje, qualquer negócio precisa ser rápido, organizado e estratégico — não dá mais para viver apenas de improviso e força de vontade.

E é aí que muitos empresários se complicam.

Trabalham demais, dormem de menos, resolvem tudo ao mesmo tempo e, mesmo assim, têm a sensação de que a empresa “anda, mas não sai do lugar”.
Não falta esforço.
Falta método.

O improviso pode até te trazer até aqui.
Mas é o planejamento que te leva adiante.

Estamos às portas de 2026, e este é o melhor momento do ano para encarar uma pergunta que poucos têm coragem de responder com sinceridade:

A sua empresa está pronta para o próximo ano?

Pronta de verdade:
— Com metas claras?
— Com equipe alinhada?
— Com processos funcionando?
— Com indicadores vivos?
— Com rotinas estruturadas?
— Com estratégia definida?

Ou você está apenas torcendo para que as coisas melhorem?

A diferença entre quem cresce e quem sofre em 2026 estará em uma única palavra:
direção.

Planejamento não é luxo.
Não é “frescura de empresa grande”.
É o básico bem-feito que 90% das pequenas e médias empresas ignoram — e é exatamente por isso que tantas ficam pelo caminho.

Fazer planejamento estratégico é olhar para três dimensões fundamentais:

1. Onde estamos?
Diagnosticar o momento atual sem mascarar a realidade.

2. Para onde queremos ir?
Definir metas possíveis, claras e mensuráveis.

3. O que precisamos fazer para chegar lá?
Traçar estratégias, projetos e rotinas semanais.

Simples.
Direto.
Aplicável.

O grande erro não é não planejar.
O grande erro é planejar e não executar.
Planejamento que não vira rotina vira enfeite.
E empresa sem direção é empresa refém da urgência.

Por isso, antes de entrar em 2026, faça um compromisso com você mesmo: escolha parar, pensar, organizar, definir prioridades e alinhar sua equipe.
Planejar dá trabalho — mas o trabalho sem planejamento custa muito mais caro.

2026 pode ser o melhor ano da sua empresa…
ou apenas mais um ano.

A diferença estará na forma como você começa.

Isenção de imposto de renda até R$ 5 mil: promessa cumprida ou ilusão fiscal?

18/11/2025 15h10 | Atualizada em 18/11/2025 15h11 | Por: Maurício Dobiez

Durante anos, o brasileiro viu a tabela do Imposto de Renda congelada, enquanto salários e preços subiam. O resultado foi perverso: milhões de trabalhadores que antes eram isentos passaram a pagar imposto, não porque enriqueceram, mas porque o Estado ignorou a realidade.

Agora, o governo tenta corrigir o erro com uma medida de grande apelo popular — isentar do IRPF quem ganha até R$ 5 mil por mês.

Na prática, isso representa o cumprimento de uma promessa de campanha e uma resposta tardia a mais de uma década de defasagem da tabela. Mas, como sempre, há um custo por trás de cada alívio fiscal.

A conta vem dos dividendos
Para compensar a perda de arrecadação, a proposta inclui a taxação de 10% sobre a distribuição de lucros e dividendos acima de R$ 50 mil por mês.
Ou seja, quem vive de lucros empresariais ou aplicações financeiras vai pagar parte da conta da nova isenção.
O discurso é de “justiça tributária”: quem ganha menos paga menos, quem ganha mais paga mais.
Mas, na prática, o risco é que se penalize justamente o empreendedor que gera empregos e reinveste no próprio negócio — aquele que sustenta a engrenagem da economia real.

Entre a promessa e a compensação
O governo tenta equilibrar duas forças opostas:
A pressão política de cumprir o que foi prometido ao eleitor: aliviar o peso sobre o trabalhador comum.
A necessidade fiscal de não abrir mão de arrecadação — o que leva a buscar novos alvos para tributar.

O resultado é um modelo que agrada à classe média baixa, mas preocupa empresários e investidores.
Mais uma vez, o país mexe na superfície do sistema, sem atacar o problema estrutural: o tamanho e o custo do Estado.

O verdadeiro desafio
Corrigir a tabela do IR é justo.

Mas a reforma tributária que o Brasil precisa vai muito além de trocar quem paga a conta.
Precisamos de um sistema simples, previsível e que estimule quem produz.
Enquanto o foco estiver apenas em arrecadar mais para manter a máquina pública, o contribuinte continuará sendo o elo mais fraco — ora beneficiado, ora sacrificado.

Para refletir:
“Quando o governo promete aliviar um lado, é porque já encontrou outro bolso para apertar”.

Nem a Netflix escapou: o imposto brasileiro virou o verdadeiro vilão da temporada

29/10/2025 11h20 | Atualizada em 29/10/2025 11h20 | Por: Maurício Dobiez
Foto: Reprodução

A Netflix teve um ano espetacular. Crescimento de 17%, receita recorde, milhões de novos assinantes. Tudo caminhava para mais um final feliz — até o roteiro brasileiro mudar o desfecho.

Na última divulgação de resultados, a empresa revelou uma despesa inesperada de US$ 619 milhões relacionada a uma disputa tributária no Brasil. O impacto foi tão grande que, mesmo com lucros e faturamento em alta, as ações despencaram quase 10% em Wall Street.

O motivo? Um velho conhecido de quem empreende por aqui: a CIDE-Tecnologia, contribuição federal cobrada sobre remessas de serviços e tecnologia para o exterior. Na prática, o Brasil entendeu que a Netflix deveria pagar imposto sobre boa parte do que envia à sua matriz — e a conta veio retroativa.

Quando o sucesso vira punição
É curioso observar como, no Brasil, crescer é quase uma provocação ao sistema tributário.
Empresas de tecnologia, inovação e streaming são celebradas pela capacidade de gerar valor, mas logo descobrem que, no nosso enredo, quem fatura mais também atrai mais burocracia, interpretações duvidosas e surpresas fiscais.

O caso da Netflix mostra o custo de operar em um país que ainda trata o contribuinte como inimigo. O imposto não é o problema — o problema é a imprevisibilidade, a insegurança jurídica e a falta de coerência entre o que o Estado cobra e o que entrega.

O reflexo no mercado
Quando uma gigante global é surpreendida por uma cobrança retroativa de centenas de milhões, o recado para investidores é claro:

“Se até a Netflix sofre com a confusão tributária brasileira, imagine o pequeno empresário.”

E é isso que derruba a confiança, afasta investimentos e trava o crescimento. O Brasil precisa entender que segurança jurídica não é um luxo — é o mínimo para quem quer empreender e gerar riqueza.

No fim das contas:
O imposto é necessário. O que não é aceitável é o roteiro de terror fiscal que empresas enfrentam por aqui.
O caso da Netflix é simbólico: mostra que nem o gigante do streaming escapou do nosso labirinto tributário.
E se até quem tem bilhão em caixa sofre para entender o fisco brasileiro, quem dirá o empreendedor que tenta sobreviver com um CNPJ e um sonho.

Lição para o Brasil:
“Enquanto o Estado enxergar arrecadação como fim — e não como meio —, sempre teremos histórias de sucesso interrompidas pela burocracia.”

Maurício Dobiez

Maurício Dobiez

Formado em Ciências Contábeis e Pós-Graduado em Gerência Contábil, foi professor universitário por 8 anos. É sócio da HOLD Contabilidade e da Terceirizou – Terceirização Financeira, além de atuar como investidor em empresas de segmentos diversificados. Colunista do jornal Folha Regional e da Rádio Hiper, também é diretor em duas Associações de Mútuo Benefícios. Foi presidente do Hercílio Luz Futebol Clube e exerceu cargos de liderança no CEJESC e na AJET, consolidando uma trajetória de gestão e representatividade.

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