Hoje nós vamos falar sobre um problema silencioso do mundo moderno, que é o impacto do uso prolongado do celular na saúde dos nossos olhos. Quase 70% das pessoas têm problemas quando fazem um uso excessivo de celulares com relação à ardência, cansaço visual, visão borrada ou mesmo dores de cabeça. Isso aumentou muito depois da pandemia.
O vilão do celular não é a luz azul como todos imaginam, assim como falava-se na tela do computador, mas sim o uso prolongado dessas tecnologias. Se a gente fizer um uso prolongado sem alguma pausa eventual, aumenta o número de problemas relacionados ao ressecamento dos olhos e, ao mesmo tempo, a gente diminui o número de piscadas. Isso faz com que haja esse ressecamento.
A luz, ela não danifica a retina de forma contínua, mas ela desregula o sono e reduz a produção de melatonina, e muitas vezes piora o sono, principalmente quando você utiliza muito o celular durante a noite ou próximo do horário de dormir. O uso excessivo dessas telas para uma progressão de uma doença especificamente poderia levar a uma miopia, especialmente em jovens, isso vai fazendo com que aumente a fadiga muscular nos olhos. Isso pode ser um problema no futuro.
Mas o principal é que nós podemos fazer algo que possa evitar essa situação. Os nossos olhos não foram feitos para ficar com os olhos fixos especificamente num local. Eles são feitos para que a gente possa variar o foco o tempo inteiro, olhar para longe, piscar com frequência. E o celular está no lado oposto disso; a gente acaba fazendo um foco muito próximo por muitas horas e os olhos ficam praticamente imóveis.
O que é que nós temos que fazer para evitar que isso aconteça? Existe uma técnica específica que é a 'regra 20-20'. Ela é simples: a cada 20 minutos de uso de tela, você deve fazer 20 segundos de um olhar para uma coisa um pouco acima de 6 metros, além de 6 metros, fazer piscadas constantes forçando essa lubrificação do olho.
Além disso, nos celulares é bom ativar o modo noturno, manter uma distância entre 35 a 45 centímetros do olho e piscar conscientemente, porque a gente acaba não piscando tanto. As telas não cegam as pessoas, mas o uso sem pausa cobra o seu preço e a gente tem que ajustar nossos hábitos para que a gente possa proteger a nossa visão para o futuro.
Grande abraço a todos e uma boa semana.
Confira na integra:
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Hoje, na nossa coluna Saúde em Destaque, vamos tratar de um assunto muito importante, que é o exame toxicológico. O governo brasileiro, por meio do Ministério da Infraestrutura e do Denatran, definiu novas regras sobre o exame toxicológico no Brasil. O exame toxicológico já era uma realidade para os motoristas profissionais, mas agora ele passa a ser obrigatório também para a renovação e para quem está tirando a primeira habilitação, inclusive nas categorias A e B.
Muita gente reclama do custo, mas a gente precisa olhar para os números. Desde que o exame toxicológico se tornou obrigatório em 2016, nós tivemos uma redução de 35% nos acidentes com caminhões e 45% nos acidentes com ônibus nas rodovias brasileiras. Mais de 300 mil motoristas profissionais foram barrados por estarem utilizando substâncias ilícitas. O exame é muito simples: é coletado um pequeno fio de cabelo. Esse material vai para o laboratório e lá eles conseguem detectar se aquela pessoa utilizou algum tipo de droga nos últimos 90 dias. É uma janela de detecção muito grande, o que garante que aquele condutor está apto e limpo para dirigir.
Muitos criticam que seria mais um custo para quem quer tirar a carteira, mas veja bem: o valor do exame hoje gira em torno de 130 reais no Laboratório Santa Catarina, por exemplo. O governo também tirou a obrigatoriedade de algumas aulas práticas para compensar esse valor. O que a gente tem que colocar na balança não é o valor financeiro, mas sim as vidas que são salvas. Um motorista sob efeito de drogas é uma arma nas rodovias. Com a chegada das festas de final de ano, o movimento nas estradas aumenta muito, e saber que os motoristas passaram por esse filtro traz muito mais segurança para todos nós. Portanto, o exame toxicológico não é apenas uma burocracia, é uma ferramenta de saúde pública e de preservação da vida. Se você vai renovar sua CNH ou tirar a primeira habilitação, faça o exame com responsabilidade.
Esta foi a nossa coluna Saúde em Destaque de hoje. Um grande abraço a todos e até a próxima!
Hoje eu quero falar sobre um assunto de tratamento inovador, mas que sofre com muito preconceito: a cannabis medicinal.
A ciência já comprovou que a cannabis medicinal pode ser utilizada em vários tratamentos, como epilepsia refratária — aquela que não responde especificamente a determinados tratamentos —, dores crônicas, esclerose múltipla e até alguns tipos de câncer.
A cannabis medicinal tem sido difundida no mundo inteiro para o tratamento dessas doenças e aqui no Brasil ela sofre bastante preconceito. Nós não podemos misturar o que é tratamento medicamentoso, ou tratamento com alguma planta medicinal como é esse caso, com a droga ilícita que é utilizada para fins recreativos.
É importante ressaltar que, quando você faz o uso da cannabis medicinal — principalmente o óleo chamado canabidiol —, ele não vai ter os efeitos narcolépticos que tem a droga de uso recreativo.
Esse uso aqui no Brasil tem aumentado ao longo dos anos, mas a regulamentação da Anvisa e do Governo Federal ainda são falhas, principalmente na produção e na comercialização, o que acaba tornando o tratamento muito caro.
Em alguns anos, eu estive em Israel e lá é amplamente difundido o tratamento não só com o óleo, mas também com a erva para ser fumada para alguns tratamentos. Nesse caso, não vou entrar muito nesse detalhe porque a gente tem que vencer outras barreiras aqui no Brasil para chegar a esse ponto.
Alemanha, Canadá e Israel estão bastante avançados nesses tratamentos e a gente precisa evoluir também no Brasil. Muitas pessoas precisam desse tratamento. A ciência já comprovou o seu efeito, principalmente quando utilizado de forma controlada.
Esse óleo do canabidiol é importante para o tratamento e monitoramento e, principalmente, como adjuvante em determinadas doenças. Mas o Brasil ainda está um pouco atrás nessa questão.
Temos que atuar na regulação, mas também temos que aprovar a produção e, principalmente, a comercialização de uma forma mais barata — talvez até pelo SUS — para que as pessoas tenham cada vez mais acesso a um tratamento que se torna cada vez mais importante e viável para toda a população.
Foto: Reprodução Olá, bom dia. Hoje, na minha coluna semanal, quero falar sobre um tema que muitos acreditam já estar no passado. Entramos em dezembro, mês em que celebramos o Dia Mundial da AIDS e também o Dezembro Vermelho, uma campanha que reforça o alerta sobre essa doença que marcou profundamente a história recente da humanidade.
A AIDS, que nos anos 80 tirou a vida de tantas pessoas e causou enorme preocupação, continua exigindo nossa atenção. Apesar dos avanços no tratamento a partir dos anos 90 e 2000, que diminuíram significativamente o número de mortes, ainda enfrentamos um cenário que merece cuidado. No Brasil, são registrados mais de 39 mil novos casos por ano e quase 10 mil pessoas ainda morrem em decorrência do HIV e da AIDS anualmente.
O dado que mais preocupa é o aumento de casos entre jovens adultos de 20 a 29 anos. E por que isso está acontecendo? Porque muitas pessoas relaxaram. A percepção de que a doença já não mata como antes, devido aos tratamentos eficazes e ao acompanhamento adequado, acabou reduzindo a sensação de risco — especialmente entre os mais jovens.
A prevenção, no entanto, segue sendo fundamental. E o desafio vai além da área médica: é também social. Os números mostram que jovens pobres e negros têm sido os mais afetados nos últimos anos. Além disso, o diagnóstico tardio e a falta de uso constante e adequado das medidas preventivas agravam ainda mais o quadro.
Hoje contamos com alternativas importantes, como o PrEP — a profilaxia pré-exposição —, um medicamento usado por pessoas que estão mais expostas ao risco, como profissionais da saúde, e que tem reduzido de forma significativa a contaminação. Mas nada substitui a prevenção, o cuidado e, quando necessário, o tratamento adequado.
A AIDS ainda é uma doença que pode levar ao óbito e segue trazendo impactos para a população. Por isso, reforço: vamos nos cuidar. Procurem fazer o acompanhamento periódico, realizem exames de rotina e mantenham em dia não só os testes para HIV, mas também para todas as infecções sexualmente transmissíveis.
Um grande abraço a todos e uma excelente semana.
Foto: Reprodução Olá, amigos! Hoje quero falar sobre um exame que ainda é pouco conhecido pela maioria das pessoas, mas que, no futuro, será cada vez mais comum na rotina de quem se preocupa com saúde e prevenção: os testes genéticos.
Você já ouviu falar sobre eles? Os testes genéticos avaliam os nossos genes — e, normalmente, envolvem a análise de centenas deles. O objetivo é identificar possíveis predisposições a doenças que podemos desenvolver ao longo da vida. Entre essas condições estão Alzheimer, alguns tipos de câncer e até diabetes tipo 2.
É importante destacar que ter uma alteração genética não significa que você vai desenvolver a doença. Por exemplo: uma pessoa com uma alteração relacionada ao câncer de mama pode realizar um acompanhamento mais cuidadoso, fazer prevenção, estar atenta — mas isso não quer dizer que terá, de fato, o câncer. O que ela ganha é informação antecipada, e isso faz toda a diferença.
Alguns podem até se perguntar: “Mas por que fazer um exame que pode me preocupar com algo que talvez nunca aconteça?”. A resposta está na palavra-chave desta coluna: prevenção. Assim como realizamos check-ups de rotina, exames laboratoriais e visitas periódicas ao médico, os testes genéticos também entram nessa lógica de cuidado preventivo.
E há uma vantagem importante: o teste genético é feito apenas uma vez na vida. Com esse resultado, já é possível saber se existe alguma probabilidade maior — em comparação ao restante da população — de desenvolver determinadas doenças. A partir daí, é possível agir de forma preventiva, evitando complicações ou até adiando o aparecimento de problemas no futuro.
Hoje já se fala que a pessoa que vai viver até 150 anos já nasceu. E, se buscamos essa longevidade, precisamos incorporar à nossa rotina ferramentas que contribuam para isso. Os testes genéticos são mais uma delas.
Os custos vêm diminuindo e a tecnologia está cada vez mais acessível. Mesmo assim, é fundamental procurar informações em laboratórios de confiança e, principalmente, contar com o acompanhamento de um médico para interpretar os resultados e orientar os próximos passos caso alguma alteração apareça.
Se você ficou curioso, procure seu laboratório de confiança e se informe. Os testes estão disponíveis e, atualmente, com preços bem acessíveis.
Um grande abraço e uma excelente semana!
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Saúde em Destaque
Professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da UNISUL e da Medicina, com mais de 20 anos de experiência na área da saúde e gestão pública. Foi Secretário Municipal de Saúde, presidente do COSEMS-SC e diretor do CONASEMS. É mestre em Saúde Coletiva, doutor em Ciências Cardiovasculares pela UFRGS e possui MBA em Liderança e Gestão em Saúde pelo Einstein. Atualmente, é diretor executivo do Laboratório Santa Catarina.
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