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Segurança

MP do Paraná aponta indícios de omissão de socorro em caso de jovem perdido no Pico Paraná

Entendimento do Ministério Público diverge da Polícia Civil, que arquivou o inquérito por não identificar crime.

15/01/2026 17h00 | Atualizada em 15/01/2026 17h10 | Por: Redação | Fonte: G1
Foto: Bruno Fávaro/RPC

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) entendeu que há indícios do crime de omissão de socorro no caso do jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, que ficou cinco dias desaparecido após se perder na trilha de retorno do Pico Paraná, nos primeiros dias do ano. A manifestação foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, e contraria a conclusão da Polícia Civil, que havia arquivado o inquérito por não identificar infração penal.

Segundo o MP-PR, a conduta atribuída à jovem Thayane Smith, que acompanhava Roberto na trilha, caracteriza omissão de socorro por tê-lo deixado para trás mesmo após perceber que ele se encontrava em situação de risco. De acordo com o órgão, havia sinais claros de vulnerabilidade, como mal-estar físico, vômitos durante a subida e dificuldade para caminhar, além das condições adversas da trilha, que incluíam frio, chuva, neblina e alto grau de dificuldade.

Na manifestação, o Ministério Público afirma que a conduta apresenta dolo, pois a jovem tinha ciência da situação de risco enfrentada por Roberto e, ainda assim, optou reiteradas vezes por não auxiliá-lo nem acionar autoridades, demonstrando preocupação apenas com o próprio bem-estar. O MP destaca que a omissão de socorro ocorre quando alguém deixa de prestar ajuda ou de comunicar o fato às autoridades diante de perigo grave e iminente, quando isso é possível sem risco pessoal.

A Promotoria solicitou o envio do caso ao Juizado Especial Criminal e propôs uma transação penal. Pela proposta, a investigada deverá pagar três salários mínimos, no valor de R$ 4.863, a Roberto, como reparação por danos materiais e morais, além de R$ 8.105 ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, que atuou nas buscas por cinco dias. Também foi proposta a prestação de serviços à comunidade por três meses, com carga de cinco horas semanais, junto ao Corpo de Bombeiros.

Procurada, a advogada Kellen Larissa informou que deixou a defesa de Thayane no Paraná no dia 9 de janeiro. A defesa da jovem no Amazonas afirmou que ainda não teve acesso aos autos e que deve se manifestar após tomar conhecimento do processo.

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Investigação policial
A Polícia Civil do Paraná havia iniciado a investigação no sábado, 3 de janeiro, enquanto Roberto ainda estava desaparecido, após a família registrar um boletim de ocorrência. O delegado Glaison Lima Rodrigues colheu depoimentos da jovem que acompanhava Roberto, de outros montanhistas e de familiares. Segundo a Polícia Civil, não foram identificados indícios de crime nem de omissão de socorro.

De acordo com o delegado, as apurações indicaram que Roberto passou mal durante a subida da trilha, mas não apresentou sintomas na descida que exigissem socorro. A versão da polícia aponta que o jovem teria ficado para trás e seguido por uma trilha errada, o que teria provocado o desaparecimento.

O caso
Roberto iniciou a trilha do Pico Paraná no dia 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga, com o objetivo de assistir ao primeiro nascer do sol de 2026 no ponto mais alto da Região Sul do país. Após a subida, descanso no cume e encontro com outros grupos, ele iniciou a descida por volta das 6h30 do dia 1º de janeiro.

Em um ponto anterior ao acampamento, Roberto se separou do grupo. Ele foi encontrado cinco dias depois, após caminhar cerca de 20 quilômetros seguindo o rio Cacatu, até chegar a uma fazenda em Antonina, onde conseguiu pedir um celular emprestado e avisar a família que estava vivo. Com 1.877 metros de altitude, o Pico Paraná fica a cerca de 90 quilômetros de Curitiba e a trilha é considerada de alto grau de dificuldade, com duração média de 13 horas, considerando ida e volta.

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