O Governo de Santa Catarina consolida uma "Reforma de Meio de Mandato" ao elevar o rigor técnico na CASAN e o pragmatismo de governança na CELESC. A manobra não apenas visa blindar a execução de investimentos bilionários e a eficiência operacional, mas também pavimentar a governabilidade e as alianças para o ciclo eleitoral de 2026.
Agilidade Administrativa na Casa d’Agronômica
Na última quarta-feira, 15 de abril de 2026, o governador Jorginho Mello oficializou uma profunda reestruturação no primeiro escalão catarinense. Em cerimônia na Casa d’Agronômica, Pedro Joel Horstmann assumiu a presidência da CASAN (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), enquanto Edson Moritz foi empossado no comando da CELESC (Centrais Elétricas de Santa Catarina). Moritz sucede a Tarcísio Stefano Rosa, que encerrou um ciclo de pouco mais de três anos à frente da distribuidora.
A agilidade na transição é um movimento calculado para evitar o hiato na execução de capital (CAPEX) das estatais. Ao substituir Tarcísio Rosa — e após a negativa anterior de Antonio Gavazzoni para o cargo —, Jorginho Mello optou por deslocar o gestor responsável pelo "turnaround" fiscal da CASAN para a CELESC, sinalizando ao mercado que a prioridade é a replicação de modelos de lucratividade e rigorosa gestão financeira em setores de infraestrutura crítica.
A nova configuração estabelece um modelo híbrido: a CASAN retorna ao comando de um técnico com profundo conhecimento "intramuros", enquanto a CELESC recebe um perfil voltado ao branding institucional e à confiança do mercado de capitais. A decisão de elevar Pedro Joel Horstmann é emblemática; ele acumulará a presidência com a Diretoria de Operação e Expansão, indicando uma gestão mais enxuta e voltada à resolução imediata de gargalos operacionais.
Essa reorganização busca otimizar a percepção de valor das companhias e focar nos seguintes pilares estratégicos:
Restauração do Valor Patrimonial: Replicação do modelo de eficiência que reverteu prejuízos em lucros na CASAN para a estrutura da CELESC.
Aceleração do Plano de Investimentos: Gerenciamento do aporte histórico de mais de R$ 5 bilhões na CELESC para garantir a segurança energética do Estado.
Continuidade Técnica: Valorização da expertise de carreira para assegurar a manutenção da qualidade dos serviços de saneamento sem interrupções políticas.
O redesenho do primeiro escalão, atingindo sete postos-chave, transcende a mera otimização administrativa. Trata-se de uma movimentação tática para o biênio final da gestão. No tabuleiro político, as mudanças ocorrem em paralelo ao fortalecimento do alinhamento entre o PL e o Podemos, exemplificado pelo retorno do vereador Gemada à sigla aliada e a proximidade com o prefeito Topazio Neto. Esse movimento consolida uma base de sustentação robusta para o projeto de reeleição em 2026.
A tabela abaixo detalha o novo organograma do colegiado:
Nome do Gestor - Instituição/Pasta Assumida - Origem/Experiência
Pedro Joel Horstmann / CASAN / Carreira (42 anos de casa / Engenheiro)
Edson Moritz / CELESC / Remanejamento (Jurídico/Branding - Ex-Casan)
Edgard Usuy / Indústria, Comércio e Serviços / Remanejamento (Ex-Secretário de C&T)
Fábio Wagner Pinto / Ciência, Tecnologia e Inovação / Remanejamento (Ex-Presidente da Fapesc)
Valdir Cechinel Filho / Fapesc / Acadêmica (Ex-Vice-Reitor da Univali)
Fabiano Muller Silva / Aquicultura e Pesca / Remanejamento (Quadro técnico da pasta)
Gil Prayon / InvestSC / Iniciativa Privada (Expertise Internacional)
A escolha de Moritz para a CELESC ancora-se em sua trajetória de 50 anos, unindo o background jurídico à experiência em branding e mercado obtida em gigantes como o Portobello Grupo. Sua missão é clara: converter os R$ 5 bilhões de investimento previstos em desenvolvimento econômico tangível. "Vamos seguir trabalhando para que a companhia continue entregando energia de qualidade e garantindo segurança energética", afirmou Moritz, focando na transição e no entendimento detalhado dos projetos.
No saneamento, a ascensão de Pedro Joel Horstmann, funcionário da CASAN desde 1985, traz a segurança de 42 anos de experiência técnica. Horstmann, que percorreu desde a manutenção eletromecânica até superintendências regionais, representa a aposta na "ponta" do serviço. Sua fala reforça o tom de estabilidade: "A gestão que se inicia será de continuidade, com foco no fortalecimento da Companhia e na eficiência dos serviços".
A reforma do primeiro escalão prepara a máquina pública para os desafios de 2026, garantindo que as áreas de fomento econômico (InvestSC e Secretaria de Indústria e Comércio) operem em sinergia com as empresas de infraestrutura. Ao equilibrar o conhecimento técnico interno (Horstmann) com a visão de mercado e governança externa (Moritz e Prayon), o governador Jorginho Mello tenta blindar o estado contra a ineficiência, mantendo o ritmo de crescimento catarinense.
"São modificações pontuais, pessoas qualificadíssimas para o primeiro escalão, pessoas da minha alta confiança que vêm contribuir com o colegiado e com o governo. Já está todo mundo com a mão na massa porque Santa Catarina não pode parar." — Jorginho Mello, Governador do Estado.
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