Prédio residencial cede 40 centímetros no Centro e força evacuação de 65 moradores; estrutura permanece em processo de colapso progressivo sob risco de desabamento total.
Na noite de quarta-feira, 15 de abril de 2026, o Centro de Itajaí registrou um dos incidentes de infraestrutura urbana mais graves da história recente da cidade. Por volta das 21h30, o Edifício Irajá, uma estrutura de quatro andares localizada nas proximidades da Rua Almirante Barroso, sofreu um afundamento súbito de sua base, estimado entre 30 e 40 centímetros. O colapso parcial de janelas e o esmagamento do primeiro pavimento geraram um cenário de risco iminente, exigindo a retirada urgente de 65 residentes. A rapidez na resposta coordenada entre a Defesa Civil e a Celesc — que efetuou o desligamento imediato da rede elétrica — evitou que a movimentação estrutural resultasse em uma tragédia com vítimas fatais, uma vez que o imóvel foi classificado tecnicamente como "em estado de colapso" logo nas primeiras horas de monitoramento.
A evacuação forçada do Edifício Irajá transformou a rotina de dezenas de famílias em uma crise humanitária local. Moradores descreveram sons de estalos metálicos e a percepção física de que o prédio estava "descendo", forçando uma fuga desesperada. Muitos deixaram o local apenas com a roupa do corpo, animais de estimação e sem acesso a documentos essenciais ou medicamentos. O trauma psicológico é acentuado pela incerteza quanto ao futuro das 16 unidades habitacionais do prédio, todas voltadas à locação.
Assistência e Desalojados: Das 65 pessoas retiradas, a maioria buscou abrigo com familiares. No entanto, a Secretaria de Assistência Social encaminhou quatro moradores para a Casa de Apoio no bairro São João.
Foram registrados três atendimentos médicos. Entre os casos mais graves está o relato de Vanderci de Almeida, que presenciou o momento em que um parapeito de cimento caiu sobre sua mãe, uma idosa de 78 anos, resultando em uma fratura na perna. A filha de Vanderci também sofreu ferimentos graves no pé, necessitando de reconstrução do "dedão" após o membro ter sido severamente atingido durante a fuga por áreas já estilhaçadas.
Um grupo de 12 atletas da Associação de Handebol de Itajaí (AHI), das categorias juvenil e júnior, residia no local. Cinco delas enfrentam a iminência de perder a participação em um Campeonato Mundial — evento decisivo para suas carreiras esportivas — devido à perda de passaportes e equipamentos de competição que ficaram retidos na estrutura condenada.
Sobre a estadia das atletas, a Fundação Municipal de Esporte e Lazer (FMEL) emitiu nota esclarecendo que a escolha e contratação do Edifício Irajá foram de responsabilidade direta da AHI, mantendo a distinção administrativa entre o fomento ao esporte e a gestão das moradias privadas.
A Prefeitura de Itajaí mantém o local lacrado e o perímetro isolado. A principal hipótese técnica aponta para o rompimento de uma cisterna com mais de 50 anos localizada sob a base do edifício, o que teria comprometido as fundações. Para dar suporte à perícia, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação recuperou os projetos originais do imóvel, que datam de 1975.
Embora o município lidere a resposta de segurança e o monitoramento topográfico, as autoridades reforçam que o imóvel é de responsabilidade particular da Família Müller (Empresa Irajá). O vice-prefeito Rubens Angioletti reiterou que a entrada de civis para retirada de pertences está terminantemente proibida até que um plano de escoramento emergencial seja executado pela equipe de engenharia privada já acionada pelos proprietários.
Métricas de Progressão do Afundamento (Abril de 2026):
Período de Observação / Deslocamento Registrado / Status da Estrutura
Quarta-feira (15/04) / 30 a 40 centímetros / Afundamento inicial e evacuação de emergência
Quinta-feira (16/04) / 10 milímetros (1 cm) / Estalos persistentes e colapso contínuo
Sexta-feira (17/04) / + 9 milímetros / Instabilidade crítica e interdição de vizinhos
O incidente reabre o debate sobre a segurança de edificações antigas e o impacto da rede hídrica subterrânea na estabilidade do solo central. Questionamentos de moradores sobre a influência do Ribeirão da Caetana (conhecido como "vala do São Judas") foram levados às autoridades; contudo, o mapeamento municipal indica que o curso d'água canalizado passa na quadra adjacente, não diretamente sob o prédio.
Por precaução, o isolamento foi expandido para áreas de garagens de edifícios nos fundos e uma residência lateral. Neste imóvel vizinho, registrou-se um momento de tensão quando a família inicialmente resistiu à ordem de evacuação, sendo convencida posteriormente pela gravidade do risco de tombamento do prédio principal sobre sua propriedade.
O perímetro em torno do Edifício Irajá permanece sob vigilância da Guarda Municipal e Codetran. Pedestres e condutores devem evitar a região para não interferir nas medições topográficas. Cidadãos atingidos que necessitem de auxílio para emissão de novos documentos ou assistência social devem utilizar os canais oficiais da Prefeitura de Itajaí.
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