Ação institucional visa mitigar os efeitos da demolição de estruturas tradicionais e assegurar suporte operacional para a iminente safra da tainha em Florianópolis.
A Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) executou recentemente a demolição de ranchos de pesca artesanal e de restaurantes na Praia de Naufragados, no sul de Florianópolis. A medida cumpriu uma decisão judicial que determinou a remoção das construções situadas na localidade. A ação impactou diretamente uma comunidade tradicional e histórica, que utilizava as estruturas para o suporte logístico, o beneficiamento do pescado e o desenvolvimento de atividades econômicas fundamentais para a subsistência local.
A retirada das instalações interrompe o ciclo de trabalho da comunidade pesqueira. Para esses trabalhadores, o rancho constitui o centro operacional indispensável ao exercício da profissão e à manutenção de sua identidade cultural. A ausência de um local apropriado para o manejo de equipamentos e o abrigo das embarcações desestrutura a organização produtiva diária e compromete a renda das famílias que dependem exclusivamente da exploração artesanal dos recursos marinhos.
O processo jurídico que fundamentou a demolição tramitou por mais de duas décadas e já possuía trânsito em julgado, o que tornou a decisão definitiva e sem possibilidade de novos recursos. No âmbito administrativo, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) buscou intervir no caso mediante a tentativa de criação de um Projeto de Assentamento. O objetivo era integrar as famílias na Política Nacional de Reforma Agrária, mas o esgotamento das vias judiciais prevaleceu, resultando na execução da ordem de remoção pela autarquia municipal.
Em resposta ao episódio, lideranças dos pescadores, representantes do Ministério da Pesca e autoridades do governo federal realizaram uma reunião para formalizar uma solução institucional. O encontro culminou na assinatura de um pacto destinado a viabilizar a construção de um novo rancho para a comunidade organizada. O acordo estabelece um esforço conjunto para garantir que os pescadores tenham acesso a uma infraestrutura adequada e regularizada para a continuidade de suas funções.
A fundamentação técnica para a nova estrutura baseia-se no Projeto de Assentamento (PAI), uma modalidade específica da Política Nacional de Reforma Agrária voltada ao reconhecimento e organização de comunidades tradicionais. O PAI atua como a âncora jurídica que permite ao governo federal intervir em áreas de interesse social e conferir segurança institucional aos beneficiários. Por meio desta estrutura, o governo busca organizar formalmente as famílias e oferecer o suporte necessário para que a reconstrução ocorra de forma regulamentada.
O cronograma de execução das obras enfrenta uma urgência cronológica devido à proximidade da safra da tainha, prevista para iniciar nos próximos dias. O compromisso firmado foca na celeridade dos trâmites administrativos para assegurar que os pescadores possuam local para guardar seus barcos e ferramentas de trabalho antes do início do ciclo pesqueiro. A aceleração da reconstrução é apresentada como medida essencial para garantir a manutenção da economia local e a preservação do patrimônio cultural da pesca artesanal na região.
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