Medida visa reforçar a segurança viária e o direito à informação do consumidor, seguindo critérios técnicos estabelecidos pela Anvisa.
A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados deu sinal verde recentemente ao projeto que institui a obrigatoriedade de alertas explícitos em rótulos, bulas e materiais publicitários de medicamentos que possam comprometer a capacidade de conduzir veículos. A proposta determina que os avisos sigam rigorosamente as diretrizes técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), buscando prevenir acidentes de trânsito ao informar usuários sobre substâncias que afetam a coordenação, os reflexos e a percepção.
O Novo Texto Regulatório
A matéria avançou por meio de um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Márcio Marinho (Republicanos-BA), ao Projeto de Lei 877/24, originalmente proposto pelo deputado Juninho do Pneu (PSDB-RJ). A nova redação altera a estratégia legislativa para garantir que a norma possua aplicabilidade prática imediata e segurança jurídica.
Integração Legislativa: O texto aprovado abandona a ideia de uma legislação isolada e integra a nova obrigatoriedade diretamente à Lei de Vigilância Sanitária (Lei 6.360/76).
Racionalidade Regulatória: A mudança estratégica visa harmonizar os interesses dos setores público e privado, mantendo a natureza compulsória do alerta sem sobrecarregar indevidamente a indústria farmacêutica com redundâncias burocráticas.
Preservação da Autoridade Técnica: A proposta assegura que a competência para definir a forma e os critérios técnicos dos alertas permaneça sob a autoridade soberana da Anvisa.
Ao defender o equilíbrio da proposta, o relator Márcio Marinho destacou a importância de unir a proteção ao cidadão com a eficiência administrativa: "A redação final concilia rigor técnico, proteção ao consumidor e racionalidade regulatória", afirmou o parlamentar.
Contexto Técnico e Riscos à Saúde Coletiva
A adoção de alertas de segurança em medicamentos com potencial psicoativo já é uma realidade consolidada em nações como os Estados Unidos e integrantes da União Europeia. A medida fundamenta-se em riscos concretos à segurança pública, conforme corroborado por orientações da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet).
Abaixo, detalham-se as classes de fármacos citadas e a gama de sintomas que podem comprometer a aptidão para dirigir:
Tipos de Medicamentos
Efeitos Potenciais na Direção:
- Calmantes, antidepressivos, analgésicos potentes, antialérgicos e relaxantes musculares
- Indução de sonolência, redução do nível de atenção, comprometimento dos reflexos e da visão
O projeto de lei segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Por tramitar em rito conclusivo nas comissões, caso seja aprovado pela CCJ, o texto não precisará passar pelo Plenário da Câmara, sendo enviado diretamente para apreciação do Senado Federal. A medida passará a vigorar como lei somente após a aprovação em ambas as Casas legislativas e a posterior sanção presidencial.
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