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COLUNISTAS

O Xadrez de Jorge Seif: Os Bastidores da Votação que Pode Mudar o Destino de 8 de Janeiro

10/04/2026 08h40 | Atualizada em 10/04/2026 08h44 | Por: Upiara Boschi

Nos corredores do Congresso Nacional, a política é jogada em tabuleiros sobrepostos, onde a pressão regional e as alianças de cúpula definem o ritmo das leis. Em Santa Catarina, o senador Jorge Seif sentia o peso das cobranças de sua base eleitoral. O impasse girava em torno de um projeto crucial que, até então, permanecia "dormindo na gaveta" do presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre. O objetivo de Alcolumbre era claro: evitar novas frentes de atrito com o Palácio do Planalto enquanto o governo lidava com temas sensíveis, como o pacote "master" e as questões do INSS.

Contudo, uma articulação de bastidores liderada por Seif conseguiu destravar o que parecia paralisado, transformando a pressão em uma vitória tática para a oposição bolsonarista.

A Estratégia do Desengavetamento

O movimento que resultou na marcação da votação do veto presidencial para o dia 30 de abril não foi fruto do acaso. Jorge Seif assumiu o papel de principal articulador do bloco oposicionista, navegando pela relutância de Davi Alcolumbre. O presidente do Senado, equilibrando-se entre as demandas do Legislativo e a estabilidade com o governo Lula, evitava pautar temas que pudessem incendiar a relação entre os poderes.

Ao liderar essa ofensiva, Seif conseguiu extrair de Alcolumbre um compromisso formal, forçando uma definição sobre um tema que o Planalto preferia manter sob silêncio administrativo. A liderança de Seif neste episódio o consolidou como uma voz ativa na linha de frente do bolsonarismo no Congresso.

Não é Anistia, é "Dosimetria"

Para compreender a manobra, é preciso precisão técnica: o projeto em questão não propõe uma "anistia completa" — o perdão total que eliminaria o crime e beneficiaria inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro. O foco aqui é a dosimetria das penas.

Na prática, trata-se de um ataque cirúrgico ao poder de condenação do Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é reduzir drasticamente o tempo de prisão imposto aos envolvidos no 8 de janeiro e na suposta tentativa de golpe de estado. Politicamente, a "dosimetria" é mais palatável que a anistia; ela não apaga o delito, mas mitiga o que a oposição classifica como penas desproporcionais. Essa distinção técnica foi fundamental para dar viabilidade ao acordo e atrair parlamentares de centro que hesitam em apoiar um perdão total.

O "Acordo de Cavalheiros" e a Lista de 32

A abertura da pauta por Davi Alcolumbre veio acompanhada de um "pedágio" político. Para se resguardar e transferir a responsabilidade para o plenário, Alcolumbre estabeleceu um "acordo de cavalheiros" com condições rígidas: a entrega de uma lista com, no mínimo, 32 assinaturas de senadores e o compromisso de que a oposição não tentaria abrir novas CPIs sobre outros temas sensíveis.

Jorge Seif não apenas articulou as assinaturas, incluindo o apoio do senador Esperidião Amin (Progressistas/SC), como utilizou uma retórica de sensibilização humanitária para convencer o comando da Casa.

"A articulação buscou sensibilizar o presidente Alcolumbre sobre a situação daqueles que não possuem um histórico de envolvimento político robusto, mas que acabaram condenados a penas severas pelas depredações ocorridas em Brasília, focando no aspecto humano das famílias atingidas."

As 32 assinaturas funcionam como um escudo político para Alcolumbre: se o veto cair, ele poderá argumentar que apenas seguiu a vontade formal da maioria do Senado.

A Sessão Exclusiva do Congresso

A maior vitória tática da oposição, no entanto, reside no formato do embate. O acordo prevê uma sessão conjunta do Congresso Nacional (Câmara e Senado) dedicada exclusivamente à votação deste veto.

Sessões conjuntas são complexas de agendar e frequentemente diluídas em pautas extensas. Ao isolar a votação da dosimetria, Jorge Seif e seus aliados conseguem canalizar toda a atenção da opinião pública e a pressão das redes sociais sobre os parlamentares. Para a oposição, esse cenário é ideal para expor os votos e constranger aqueles que flertam com a manutenção do rigor imposto pelo Judiciário.

O Que Esperar de 30 de Abril?

Com a lista entregue e o compromisso selado, o dia 30 de abril torna-se o novo marco zero da crise entre os poderes. O Congresso Nacional terá a oportunidade de dar uma resposta institucional ao que muitos parlamentares consideram um excesso de punição por parte do STF.

O desfecho revelará o real equilíbrio de forças: o Legislativo terá a coragem de derrubar o veto integral de Lula e reduzir as penas, ou o Planalto manterá sua influência, preservando a autoridade das decisões do Judiciário? O xadrez de Jorge Seif colocou as peças em posição de ataque, mas o resultado final definirá se o Congresso está pronto para retomar, de fato, a prerrogativa de ditar o alcance da justiça no Brasil.

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Upiara Boschi

Política em foco

Upiara Boschi é um jornalista com vasta experiência e reconhecida atuação na cobertura política de Santa Catarina. Com uma carreira consolidada, tornou-se um dos principais nomes na análise dos bastidores do poder no Estado, sendo referência para o público e para a classe política. Atualmente, mantém seu próprio portal de notícias, o upiara.net, e é comentarista em veículos parceiros, como o Grupo ND e a Rádio Eldorado, de Criciúma. Ao longo de sua carreira, Upiara Boschi se destacou pela apuração rigorosa, pela análise aprofundada dos cenários políticos e pela capacidade de traduzir os complexos movimentos do poder para o grande público. Seu trabalho é caracterizado pela busca constante por informações exclusivas e pela contextualização dos acontecimentos, oferecendo aos seus leitores e espectadores uma compreensão mais ampla da política catarinense.

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