A divergência estratégica entre a base de prefeitos e a cúpula estadual expõe o racha interno na sigla e desafia a coesão partidária para a sucessão estadual.
Na noite de segunda-feira, em Florianópolis, uma reunião entre o governador Jorginho Mello e 55 dos 70 prefeitos eleitos pelo MDB em 2024 evidenciou a fragmentação do partido para o cenário de 2026. O encontro contou com o apoio de metade da bancada estadual — representada pelos deputados Antídio Lunelli, Jerry Comper e Fernando Krelling — e do deputado federal Valdir Cobalquini. O movimento buscou consolidar a permanência da sigla na base governista, sinalizando uma adesão majoritária dos mandatários municipais ao atual projeto administrativo. Contudo, essa aproximação não é unânime e enfrenta resistência direta da estrutura de comando da legenda.
A ala dissidente, liderada pelo presidente estadual e deputado federal Carlos Chiodini, defende a aliança com a pré-candidatura de João Rodrigues ao governo. Para este grupo, a proposta de Rodrigues é mais vantajosa por oferecer a vaga de vice-governador e a suplência ao Senado na chapa de Esperidião Amin. Na avaliação dessa ala, aceitar apenas uma suplência de senador na coligação de Jorginho Mello representaria o "apequenamento" da sigla. O grupo argumenta que tal composição repetiria o insucesso das eleições de 2018 e 2022, quando o MDB não alcançou o segundo turno, e sustenta que a ausência de um cargo de protagonismo na chapa majoritária resultaria em um retrocesso político para a agremiação.
A gravidade da ruptura foi formalizada em uma carta contundente de Carlos Chiodini, na qual o dirigente afirmou que o partido foi "esnobado" pelo governador antes de ser buscado para o apoio. A divisão é corroborada pelo comportamento das bancadas: no âmbito federal, Rafael Pezenti e Chiodini alinham-se a Rodrigues, enquanto Cobalquini permanece com o governo. Na Assembleia Legislativa, o descontentamento manifestou-se de forma prática durante o tradicional almoço de terça-feira; enquanto os deputados governistas se reuniram na sede do Legislativo, os parlamentares Tiago Zilli, Volnei Weber e Mauro de Nadal optaram por almoçar em um restaurante externo para sinalizar a divergência com o ato realizado na noite anterior.
Diferente de legendas como o PL, que operam sob comissões provisórias, o MDB possui diretórios municipais constituídos com autonomia jurídica. Embora Jorginho Mello detenha o apoio de uma quantidade expressiva de prefeitos, a definição oficial do partido depende do voto dos delegados e presidentes municipais em convenção. Segundo a análise da cúpula partidária, a tendência atual de votos nesses diretórios favorece a aliança com João Rodrigues, embora se projete que o partido não entrará na disputa de forma unitária. Com o prazo final das convenções estabelecido para agosto, a resolução deste impasse institucional dependerá de negociações que buscarão evitar uma fragmentação definitiva no pleito estadual.

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