A mobilização conjunta entre Prefeitura, IMA e Polícia Militar Ambiental ocorre após a identificação de perfurações por arma de pressão no animal; investigação busca identificar autores do crime ambiental.
A preservação da fauna silvestre em perímetros urbanos exige um equilíbrio delicado entre a vigilância institucional e o respeito ao habitat natural das espécies. A região da Beira-Rio, no Centro de Tubarão — especificamente nas proximidades da antiga rodoviária —, tornou-se o foco de uma operação coordenada após o registro de uma capivara adulta com ferimentos visíveis. O caso mobilizou equipes da Prefeitura Municipal, do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) e da Polícia Militar Ambiental (PMA), que atuaram para avaliar a gravidade da ocorrência e iniciar os protocolos de monitoramento técnico.
As capivaras são componentes vitais do ecossistema de Tubarão, circulando habitualmente entre o leito do rio e as áreas verdes centrais. Sua presença é um indicador de biodiversidade, mas a vulnerabilidade desses animais no ambiente urbano ficou exposta com a denúncia de que o espécime encontrado apresenta ao menos três perfurações no corpo. A suspeita técnica aponta para disparos de "chumbinho" ou armas de pressão, o que configura uma grave violação da legislação ambiental brasileira.
A ocorrência de ferimentos por intervenção humana deliberada gera um impacto que transcende o bem-estar animal; ela afeta a percepção de segurança ambiental e sinaliza a necessidade de endurecer a vigilância contra atos de crueldade. O equilíbrio da biodiversidade local depende de que o espaço urbano seja um local de passagem segura, e não um cenário de risco para a fauna nativa, exigindo uma análise profunda sobre a convivência entre moradores e animais silvestres.
A condução do caso baseia-se em critérios científicos rigorosos para evitar que o manejo cause danos ainda maiores ao animal. O biólogo Rodrigo Ávila Mendonça, coordenador do Centro de Pesquisas e Triagem de Animais Silvestres (Ceptas) da Unisul, explica que a estratégia atual é o monitoramento in situ (no próprio local), uma decisão deliberada para poupar o animal do estresse extremo que uma captura causaria, o que poderia levar ao óbito por miopatia.
Com base no parecer técnico do Ceptas e das autoridades ambientais, os principais pontos de observação são:
Estado de Atividade: O animal permanece ativo e mantém suas funções biológicas preservadas, como alimentação, locomoção e permanência em ambiente aquático.
Riscos de Captura Imediata: A intervenção direta para resgate não é recomendada no momento, pois o estresse do manejo clínico poderia agravar severamente o quadro de saúde do espécime.
Diferenciação das Lesões: Os ferimentos identificados possuem características de ação humana, distinguindo-se claramente de lesões naturais decorrentes de disputas territoriais ou interações da espécie.
Para garantir a segurança dos cidadãos e a recuperação da fauna, é fundamental que a população adote protocolos de distanciamento e evite qualquer interação direta com o animal monitorado. Mantenha-se afastado do animal. Capivaras podem reagir de forma defensiva se sentirem acuadas. Não tente tocar, capturar ou oferecer alimentos. A alimentação artificial altera o comportamento natural e prejudica a saúde do animal.
Caso presencie novos atos de maus-tratos ou identifique animais em risco, entre em contato imediatamente com a Polícia Militar Ambiental pelo telefone (48) 3621-1111.
O monitoramento da capivara na Beira-Rio segue como uma prioridade das autoridades ambientais, mas o caso agora ganha uma vertente criminal. A Polícia Civil trabalha em conjunto com a Polícia Militar Ambiental para identificar a autoria dos disparos, reforçando que maus-tratos a animais silvestres são crimes sujeitos a sanções administrativas e penais.
A próxima etapa consiste no acompanhamento contínuo da evolução clínica do animal em seu habitat, garantindo que qualquer intervenção futura seja estritamente necessária. A proteção da fauna silvestre é uma responsabilidade coletiva, e a resposta articulada dos órgãos competentes reafirma o compromisso de Tubarão com a ética ambiental e a preservação de sua biodiversidade urbana.
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