O Sul de Santa Catarina encontra-se hoje em uma encruzilhada decisiva. De um lado, o vigor econômico das regiões da Amesc, AMREC e Amurel, que compõem um dos motores produtivos mais importantes do estado; de outro, desafios estruturais que ameaçam a competitividade industrial e a sustentabilidade ambiental.
Nesse cenário, a Bancada do Sul na Assembleia Legislativa (Alesc) deixa de ser apenas um agrupamento político para se tornar o fiel da balança no equilíbrio de forças entre o governo estadual e as demandas locais.
O momento exige mais do que representatividade; exige articulação técnica e política para preencher possíveis vácuos de poder e garantir que o Sul fale com uma voz unificada e estratégica em Florianópolis.
O "Rodízio" do Poder: Rodrigo Minotto e a Continuidade Estratégica
A política sulista demonstrou maturidade institucional no dia 4 de fevereiro de 2026, quando a coordenação da Bancada do Sul passou do deputado Tiago Zilli (MDB) para Rodrigo Minotto (PDT). Longe de ser um movimento isolado ou uma ruptura, essa transição foi selada em um almoço com o presidente da Alesc, Julio Garcia (PSD), reforçando o sistema de "rodízio" entre os parlamentares da região.
Sob a ótica da análise política, essa alternância atua como um anteparo estratégico contra fricções partidárias. Ao permitir que diferentes siglas — como PDT, MDB, PSD, PL e PP — assumam o protagonismo de forma cíclica, a bancada mantém uma coesão interna que prioriza os interesses regionais acima de projetos individuais. É uma diplomacia interna necessária para sustentar a pressão legislativa.
"Assumir a coordenação da Bancada do Sul é uma grande honra e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade ainda maior. Nós, como representantes do Sul, devemos defender o interesse dos municípios." — Rodrigo Minotto.
Gás Natural: O Embate para Evitar o Desmonte Industrial
Um dos pontos altos da agenda atual foi a reunião realizada em 15 de abril de 2026, onde o custo do gás natural dominou os debates. Para o analista atento, o que está em jogo não é apenas uma tarifa energética, mas a própria permanência do parque fabril sulista. O gás é o insumo básico que sustenta a competitividade dos polos industriais da região, especialmente o setor cerâmico.
O alto custo praticado em Santa Catarina tem forçado a bancada a agir como um mediador de crise. O objetivo central é impedir a "fuga de capitais" e a desinstalação de empresas que já avaliam deixar o estado. A Bancada do Sul está articulando canais diretos de negociação com os governos estadual e federal para buscar uma redução imediata de custos, compreendendo que a perda dessas indústrias significaria um retrocesso socioeconômico de décadas para a região.
Rio Urussanga: Recuperação Ambiental como Pilar de Infraestrutura
A pauta do Rio Urussanga e do Complexo Lagunar evoluiu de uma bandeira exclusivamente ambiental para uma questão crítica de infraestrutura e saneamento. A urgência de ações de desassoreamento e limpeza não é apenas estética; é uma condição para o desenvolvimento regional sustentável.
A Frente Parlamentar dedicada ao rio tem focado em ações integradas para superar o que chamamos de "gargalos de execução". O desafio não é apenas técnico, mas político: a bancada atua como a ponte necessária para destravar entraves burocráticos e financeiros nas esferas estadual e federal. Recuperar o rio e o complexo lagunar significa garantir a viabilidade de atividades econômicas que dependem da saúde hídrica da região, removendo barreiras que hoje impedem novos investimentos.
A Força da Articulação: Além das Siglas Partidárias
A eficácia desse bloco parlamentar reside na diversidade de sua composição e na proximidade com o Poder Executivo. Com nomes como Julio Garcia, Zé Milton Scheffer, Pepê Collaço, Volnei Weber, Tiago Zilli e Jessé Lopes, a bancada consegue operar em múltiplas frentes simultâneas.
Essa articulação multissetorial tem como base um diálogo constante com as prefeituras. O presidente Julio Garcia destaca que a força da bancada nasce da capacidade de transformar as demandas dos prefeitos em projetos viáveis dentro do Legislativo. Essa conexão "base-parlamento" é o que permite filtrar prioridades em saúde, educação e infraestrutura, garantindo que o orçamento estadual chegue onde a demanda é real.
"O levantamento das demandas e a aproximação entre o Legislativo e os executivos municipais têm se mostrado fundamentais para fortalecer a atuação da bancada." — Julio Garcia.
O Que Esperar nos Próximos Encontros?
O roteiro da Bancada do Sul para os próximos meses já está traçado e é ambicioso. Além de buscar alternativas técnicas para o preço do gás e acelerar o cronograma de limpeza dos rios, os parlamentares definiram a segurança pública, a saúde e a educação como a "próxima fronteira" de atuação. Melhorias rodoviárias essenciais também continuam no topo das prioridades para destravar o fluxo logístico do Sul.
A união política vista nesta coordenação sugere que a região compreendeu que o isolamento é o caminho para a estagnação. Desafios complexos, como o custo energético global, exigem respostas regionais coordenadas e agressivas.
Com a união de forças políticas tão diversas, o Sul de Santa Catarina conseguirá finalmente destravar as obras de infraestrutura que aguardam há décadas? A resposta começará a ser desenhada nas próximas decisões orçamentárias e na capacidade de manter essa frente ampla em defesa do desenvolvimento regional.
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