Do Legislativo ao Executivo: uma imersão técnica e estratégica de seis dias úteis na gestão municipal.
Assumir o comando de uma cidade com o porte de Tubarão por apenas seis dias úteis poderia, aos olhos desatentos, parecer um gesto meramente protocolar. No entanto, a recente passagem de Everson Martins, Presidente da Câmara de Vereadores, pelo cargo de Prefeito em exercício, revelou uma lição valiosa de gestão pública: a produtividade não é filha do tempo cronológico, mas da maturidade do planejamento. Entre feriados e agendas comprimidas, Martins não apenas "ocupou a cadeira", mas acelerou entregas estruturantes que há décadas aguardavam um desfecho.
A "Síndrome do Assessor": O Poder da Prontidão Técnica.
A eficácia de uma gestão relâmpago depende inteiramente do que foi construído antes de a caneta tocar o papel. Everson Martins atribui o volume de entregas à sua "síndrome do assessor" — uma referência à sua longa trajetória técnica nos bastidores de gabinetes de deputados. No setor público, essa mentalidade traduz-se em prontidão: a disciplina de ter o plano pronto para quando a oportunidade de execução surgir.
Essa antecipação estratégica permitiu que a prefeitura não perdesse dias com diagnósticos ou burocracias iniciais. Martins já havia mapeado as demandas críticas nos bairros Passagem e São Martinho, permitindo que a equipe partisse direto para a ordem de serviço. Como ele próprio define: "O assessor sempre tem que estar preparado para tudo". É a transição do político que apenas propõe para o gestor que conhece o caminho do recurso.
O Choque de Realidade na Saúde Mental: O Custo do Absenteísmo.
Um dos momentos mais sensíveis da semana foi a análise do mutirão de psiquiatria. O dado é um soco no estômago da eficiência pública: das 70 consultas agendadas e confirmadas, apenas 36 pessoas compareceram. Um absenteísmo de quase 50% que não representa apenas um número, mas um prejuízo direto ao contribuinte e um desrespeito a quem permanece na fila.
Como analista, é preciso destacar que o desperdício de uma hora médica em psiquiatria, hoje uma das especialidades mais demandadas no SUS pós-pandemia, é um entrave ao progresso da saúde local. O alerta de Martins para o próximo mutirão do dia 11 — que contará com 120 consultas — é um chamado à responsabilidade cívica: "Quando você não vai, você tira a vaga de outra pessoa que está precisando". A gestão eficiente exige, também, um cidadão consciente.
Modernização do SUS: A Telepsicologia via SISREG.
Tubarão deu um passo decisivo na modernização tecnológica ao aderir à telepsicologia via CISAMUREL. Aqui, cabe uma distinção técnica fundamental que Martins fez questão de frisar: não se trata de uma telemedicina de livre acesso, mas de um serviço regulado pelo SISREG.
O fluxo é estruturado: o paciente busca o posto de saúde, recebe o encaminhamento e, ao entrar no sistema de regulação, pode optar pela consulta remota. Essa inovação é a resposta direta a um cenário onde 52% dos brasileiros apontam a saúde mental como prioridade. Reduzir filas através da tecnologia, mantendo o rigor do encaminhamento médico, é gestão pública do século XXI.
Infraestrutura com Memória: Resiliência Urbana no Bairro Passagem.
No bairro Passagem, o pacote de obras anunciado carrega um peso histórico. Algumas vias não recebiam renovação asfáltica desde 1985, na gestão de Miguel Jimenes. Mais do que estética, a intervenção na Vila Presidente Médici (Comasa) foca em resiliência urbana:
Drenagem Estratégica: A substituição de tubulações de 30 cm para 40 cm não é um detalhe menor; é um aumento crucial na capacidade de vazão para enfrentar alagamentos, reforçada pela limpeza com caminhão hidrojato.
Mobilidade Regional: O asfaltamento da Rua Lauro Müller não é isolado; é uma resposta logística à nova ponte Capivari-Tubarão, redefinindo o fluxo de veículos no bairro para absorver o novo tráfego regional.
Revitalização Espacial: A Praça Edson Luiz Hert (300-400 m²), viabilizada por recursos do Deputado Júlio Garcia, trará uma integração inédita com a APAE, transformando o espaço público em ferramenta de inclusão.
Educação e Lazer: Ocupando os Vazios Urbanos.
O investimento nos bairros periféricos foi o fio condutor da semana. No São Martinho, a carência de espaços de lazer será suprida por uma praça de 3.200 m² — um investimento de R$ 630 mil do Governo do Estado. Além disso, o anúncio de um ginásio de esportes para o Colégio Martinho Alves dos Santos atenderá 902 alunos, fixando a juventude em atividades saudáveis.
Na educação infantil, a ampliação da Creche Estrelinha Brilhante com sete novas salas e 70 vagas, utilizando recursos próprios da educação, demonstra saúde fiscal e prioridade política. Complementando a infraestrutura, Martins resgatou sua atuação legislativa: a lei de sua autoria que institui "Rodas de Conversa" sobre saúde mental nas escolas já está em fase de capacitação de professores, permitindo que o ambiente escolar seja a primeira barreira de detecção de transtornos em crianças.
Intensidade e Legado: O Valor do "Tijolinho".
A semana de Martins não se limitou ao canteiro de obras. A agenda incluiu a conquista de novos equipamentos para a Defesa Civil como um caminhão pipa, e a celebração de Tubarão como finalista do prêmio "Prefeitura Empreendedora" do Sebrae, na categoria economia criativa.
A gestão de uma cidade é uma corrida de revezamento. Martins encerrou seu período como prefeito em exercício utilizando a metáfora do "tijolinho": uma contribuição técnica que se soma ao trabalho contínuo de Sorato e Denis. A experiência de seis dias deixa uma mensagem clara: a harmonia entre o Legislativo e o Executivo, quando pautada pelo planejamento e não pelo improviso, é capaz de entregar em uma semana o que muitos levam anos para tirar do papel. O progresso de Tubarão agradece à prontidão.
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