Migração dos cardumes já dá sinais no mar e une tradição, economia e conhecimento ancestral nas comunidades costeiras do Sul do Brasil.
A partir do dia 1º de maio, tem início oficialmente a temporada da safra da tainha, um dos períodos mais aguardados por pescadores artesanais e comunidades litorâneas do Sul do Brasil. A atividade, que mistura tradição, sustento e cultura, movimenta cidades costeiras e reforça a conexão entre o homem e os ciclos naturais do mar.
A tainha, espécie conhecida cientificamente como Mugil liza, realiza todos os anos um movimento migratório que marca o início da safra. Os peixes deixam regiões mais ao sul, como o litoral do Rio Grande do Sul, e seguem em direção ao norte, passando por Santa Catarina e Paraná. Esse deslocamento ocorre principalmente por conta da reprodução, já que as águas mais quentes favorecem a desova.
Os primeiros sinais da chegada dos cardumes já podem ser observados pelos pescadores mais experientes. Mudanças na temperatura da água, direção dos ventos, presença de aves marinhas e até a coloração do mar são indicadores importantes. Esse conhecimento tradicional, passado de geração em geração, é essencial para o sucesso da pesca artesanal.
A técnica mais comum utilizada durante a safra é o chamado “arrasto de praia”, onde os pescadores cercam o cardume com grandes redes e, em seguida, puxam manualmente até a areia. É um trabalho coletivo, que envolve esforço físico e coordenação, muitas vezes acompanhado por moradores e turistas que ajudam ou assistem ao espetáculo natural.
Além do aspecto cultural, a safra da tainha também tem grande importância econômica. Durante os meses de maio a julho, há um aumento significativo na oferta do peixe, o que impacta diretamente o comércio local, restaurantes e feiras. A ova da tainha, considerada uma iguaria, também ganha destaque e valor de mercado.
No entanto, a atividade é regulamentada por órgãos ambientais para garantir a sustentabilidade da espécie. Existem regras específicas sobre períodos, métodos de captura e cotas, principalmente para a pesca industrial. O objetivo é preservar os estoques naturais e permitir que a tradição continue nas próximas gerações.
Especialistas alertam que fatores como mudanças climáticas, poluição e pesca irregular podem afetar o volume da safra. Por isso, o monitoramento constante e a conscientização são fundamentais para equilibrar exploração econômica e preservação ambiental.
Com a chegada de maio, o mar volta a ser palco de expectativa e esperança. Para quem vive da pesca, cada sinal vindo das águas representa mais do que trabalho: é a promessa de uma boa safra, fruto da experiência, da paciência e do respeito aos ciclos da natureza.
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