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Economia

Impacto da Reforma Tributária: Pesquisa Revela Falhas de Automação e Atrasos Fiscais em Empresas Brasileiras

A menos de nove meses da implementação do novo IVA Dual, levantamento aponta que mais de 60% das grandes empresas levam mais de 20 dias para registrar notas fiscais, evidenciando gargalos operacionais que ameaçam a conformidade fiscal.

12/04/2026 12h00 | Atualizada em 12/04/2026 12h07 | Por: Redação - Publicado por Nicolaite

A menos de nove meses da implementação do Imposto sobre Valor Adicionado Dual (IVA Dual) no Brasil, empresas de médio e grande porte enfrentam ineficiências operacionais críticas que podem inviabilizar o cumprimento dos prazos da reforma tributária.

Uma pesquisa conduzida pela V360 com 355 profissionais do setor revela o fenômeno da "falsa automação": embora as organizações processem altos volumes de dados — 63% delas superam 10 mil notas fiscais mensais —, a dependência de processos manuais persiste. Esse cenário gera um risco direto para 2026, uma vez que a incapacidade de processar o fluxo documental atual sugere um colapso iminente quando as empresas forem obrigadas a operar os sistemas novo e antigo em paralelo.

O Cenário da "Falsa Automação" e Gargalos Operacionais

Os dados de desempenho das companhias brasileiras expõem uma disparidade severa entre a percepção tecnológica e a execução prática. O estudo aponta um distanciamento entre o investimento em sistemas e a efetiva agilidade fiscal:

Prazos de Registro: 62,2% das empresas necessitam de mais de 20 dias para registrar uma nota fiscal; para 22,3% das organizações, o prazo excede os 30 dias.

Percepção vs. Realidade: Enquanto 87% das empresas declaram possuir elevado grau de automação, apenas 49% conseguem concluir o registro no sistema sem qualquer intervenção manual.

Captura de Dados: 61% das organizações realizam a captura automática de notas, mas o fluxo é interrompido antes da finalização por deficiências na integração de dados.

Essa lacuna ocorre porque os sistemas de gestão, conhecidos como ERP (Enterprise Resource Planning), funcionam primariamente como centrais de processamento, mas carecem da "inteligência fiscal" necessária para o complexo ambiente brasileiro. Sem ferramentas complementares que realizem validações automáticas de regras tributárias e exceções, o fluxo digital é paralisado, exigindo que colaboradores realizem conferências manuais para evitar erros de lançamento.

Riscos na Operação e Validação de Dados

A fragilidade na validação de documentos fiscais impacta diretamente a segurança jurídica e financeira das organizações. A pesquisa detalha que menos da metade das empresas realiza o cruzamento completo de dados entre as notas recebidas e os pedidos de compra:

Nível de Validação

Porcentagem de Empresas - Descrição do Procedimento

Integral - 8%

Conferência total de itens, valores e quantidades.

Parcial - 44%

Verificações incompletas ou amostrais de dados.

Manual - 8%

Procedimentos totalmente dependentes de intervenção humana.

Para Izaias Miguel, CEO da V360, essa ineficiência eleva a exposição a três riscos fundamentais:

Pagamentos Equivocados: Erros de valor ou duplicidade por falha na conferência.

Falhas Fiscais: Inconsistências que geram passivos e multas junto ao fisco.

Perda de Controle Interno: Dificuldade em gerenciar vastas bases de fornecedores em tempo real.

O Cronograma da Reforma Tributária (2026-2027)

A transição para o novo modelo tributário exigirá um rigor técnico sem precedentes, iniciando um período de convivência entre regimes distintos:

2026 (Fase Experimental): Implementação de alíquotas de teste de 0,9% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e 0,1% para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Embora os valores sejam compensáveis nos tributos atuais, as obrigações acessórias serão exigidas de imediato.

2027 (Transição Efetiva): Início da extinção progressiva dos impostos antigos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) e elevação das alíquotas do IVA Dual.

Um ponto técnico relevante para o planejamento das empresas é que a Receita Federal estabeleceu a suspensão de penalidades pela ausência de discriminação dos novos tributos nas notas fiscais até o quarto mês subsequente à regulamentação da CBS e do IBS.

Desafios de Implementação e a Visão do Especialista

A operação simultânea de dois arcabouços tributários representa o maior desafio logístico das últimas décadas. Segundo Izaias Miguel, o intervalo entre a emissão e o registro de uma nota fiscal deve ser encarado como um KPI (Key Performance Indicator) vital de eficiência. "Processos que se estendem por semanas geram um acúmulo de exceções e retrabalho que as empresas não poderão suportar no novo regime", afirma o especialista.

A necessidade de intervenção manual será agravada pela exigência de novos campos compulsórios e ajustes na classificação fiscal de produtos e serviços para atender à CBS e ao IBS. Para Miguel, a falta de integração sistêmica impedirá que as empresas capturem esses novos dados de forma ágil, transformando pequenas falhas de preenchimento em grandes entraves operacionais.

 

A automação fiscal deixa de ser uma escolha operacional para tornar-se um imperativo estratégico de sobrevivência. A ineficiência no manejo de dados tributários não apenas onera a estrutura interna das empresas, mas reflete em custos mais elevados para o consumidor final e gera instabilidade no mercado.

A preparação imediata é a única via para mitigar os custos de adaptação. Empresas que não modernizarem suas validações fiscais enfrentarão dificuldades severas em garantir a transparência e a conformidade exigidas pelo novo sistema nacional, comprometendo sua competitividade diante das exigências do Estado e das demandas de eficiência do mercado brasileiro.

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