Falta de mercado e queda na demanda levaram produtor de Urubici a inutilizar safra inteira, expondo crise no escoamento da produção agrícola.
Na cidade de Urubici (SC), o agricultor Leandro Schmitz enfrentou uma das situações mais difíceis de sua carreira: precisou descartar cerca de 50 toneladas de ameixas da variedade Letícia, uma das mais cultivadas na região Sul do Brasil. A decisão veio após meses de dedicação e investimentos, mas diante da falta de compradores, a fruta não teve destino.
O prejuízo estimado ultrapassa R$ 100 mil, considerando o trabalho, custos de produção e armazenamento. Parte da produção ainda foi doada, mas a maior parte precisou ser descartada.
“Minha decisão de jogar fora foi porque o comércio estava fraco. Não tinha o que fazer. O meu sentimento é uma mistura de frustração e indignação”, relata Schmitz em entrevista à Globo Rural.
As ameixas haviam sido colhidas no início de março e estavam armazenadas em câmara fria, na tentativa de ganhar tempo para a comercialização. No entanto, a demanda não se recuperou, tornando o descarte inevitável.
📉 Por que isso aconteceu?
Vários fatores podem explicar a situação enfrentada por Schmitz:
Queda no poder de compra da população: com menos dinheiro disponível, o consumo de frutas diminuiu, principalmente itens considerados não essenciais.
Excesso de oferta no mercado: muitos produtores colhem ao mesmo tempo, aumentando a oferta e derrubando os preços.
Falta de canais de distribuição eficientes: pequenos agricultores têm dificuldade de acessar mercados maiores, redes de supermercados ou exportação.
Custos logísticos elevados: transportar frutas perecíveis exige rapidez e refrigeração; quando o custo do transporte supera o lucro, a venda torna-se inviável.
O agricultor comentou que nunca havia enfrentado algo assim em anos anteriores, indicando mudanças recentes no mercado ou no comportamento do consumidor.
⚠️ Um problema maior do que parece
O caso de Urubici não é isolado. Ele evidencia uma falha estrutural na agricultura brasileira: o desafio de escoar a produção. Toneladas de alimentos são descartadas enquanto milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar, mostrando que o problema é de distribuição, não de produção.
Além do impacto financeiro, há um lado emocional. Agricultores desenvolvem vínculo com o que cultivam, e o descarte causa frustração, indignação e sentimento de impotência.
🌱 O que poderia ser feito?
Especialistas indicam algumas soluções para evitar desperdícios e fortalecer o setor:
Fortalecimento de cooperativas agrícolas: união de produtores aumenta a capacidade de negociação, reduz custos e melhora acesso a mercados.
Industrialização da produção: transformar frutas em geleias, polpas ou sucos aumenta a durabilidade e abre novos mercados.
Programas de compra governamental: políticas públicas podem comprar excedentes e direcionar alimentos para escolas e programas sociais.
Conexão direta com consumidores: feiras, vendas diretas e apps aproximam produtores do público final, reduzindo intermediários e perdas.
💬 “O campo ainda depende de estrutura, planejamento e apoio para garantir que o alimento chegue à mesa — e não ao descarte.”
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