Com o fim da janela partidária, o governador demonstra força ao reunir 14 deputados e projetar expansão, enquanto frentes de oposição e blocos alternativos surpreendem pela organização precoce do tabuleiro eleitoral.
O Encontro na ALESC: O Gesto de Poder de Jorginho Mello
Na última quarta-feira, 15 de abril, o governador Jorginho Mello cumpriu uma agenda que foi muito além do protocolo na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC). Ao participar do almoço da bancada do Partido Liberal (PL) — uma tradição das terças-feiras, excepcionalmente prestigiada pelo chefe do Executivo nesta data — Jorginho não apenas celebrou a nova composição da sigla, mas enviou uma mensagem clara de unidade e otimismo.
Foi o primeiro encontro oficial após o fechamento da janela partidária, período em que o governador atuou como principal articulador para atrair novas lideranças. O gesto serviu para entusiasmar o "time" e alinhar o discurso para os próximos embates, tanto legislativos quanto eleitorais.
A Nova Geometria do Poder na ALESC
A configuração atual do parlamento catarinense revela uma hegemonia incontestável do PL. O partido, que iniciou a legislatura com 11 cadeiras, saltou para 14 representantes no total de 40 assentos, distanciando-se das demais legendas.
Partido / Cadeiras Atuais / Cadeiras Anteriores
PL / 14 / 11
MDB / 6 / -
PSD / 4 / -
PT / 4 / -
Neste movimento, o PL recebeu os deputados Camilo Martins (ex-Podemos), Marcos da Rosa (ex-União Brasil), Jair Mioto (ex-União Brasil) e Júnior Cardoso (ex-PRD). A única baixa foi o deputado Nilson Berlanda, que migrou para o PSD.
Entretanto, o clima de vitória vem acompanhado de uma "panela de pressão" interna. Jorginho Mello subiu o tom das expectativas ao declarar que o partido tem potencial para eleger 15 cadeiras no próximo pleito. Para os atuais mandatários, o desafio é de sobrevivência: em uma chapa extremamente competitiva, analistas e o próprio partido estimam que o candidato que não alcançar o patamar de 35 mil votos terá sérias dificuldades para manter o mandato. Com exceção do Sargento Lima, que mira a Câmara Federal, todo o grupo busca a reeleição em um cenário de "canibalização" de votos.
A Promessa Condicionada ao Cenário Nacional
Durante a reunião, o governador também apresentou um balanço técnico, focando em obras estruturantes que devem pautar o debate eleitoral:
Viamara: O início das obras da rodovia paralela à BR-101 já tem ponto de partida definido: a região de Itajaí.
BR-282 (Oeste Mar): O ambicioso plano de estadualização e execução de obras na 282 foi colocado como uma "carta na manga" política. Jorginho vinculou diretamente a viabilidade deste projeto à vitória de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial contra o atual governo federal, estabelecendo um tom de "nós contra eles" que deve ecoar nos palanques.
O Precoce Despertar da Oposição: A Frente de Esquerda
Um fenômeno raro na política catarinense chama a atenção deste jornalista: o encaixe antecipado das peças de oposição. A "Frente de Esquerda" já apresenta uma chapa montada e nomes definidos, algo incomum para este período do calendário.
A estrutura conta com o ex-deputado Gelson Merizio (PSB) como pré-candidato ao Governo, acompanhado de Angela Albino (PDT) como vice. Para o Senado, o peso pesado é Décio Lima (PT), que traz o capital político de ter chegado ao segundo round na última eleição. Ele terá Elane Berger como sua primeira suplente. A segunda vaga ao Senado será disputada por Afrânio Boppré (PSOL), tendo a histórica ex-deputada Luciane Carminatti (Luci) na primeira suplência.
Outras Articulações e o Fator "Cedo Demais?"
O tabuleiro estadual ainda conta com outros blocos robustos. Jorginho Mello parece ter consolidado a dobradinha com o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como seu vice, além de apoiar Carlos Bolsonaro e Carlitone para o Senado.
Em outra extremidade, o bloco formado por João Rodrigues (PSD) e o MDB ganha corpo. A aposta de bastidor é que Carlos Chiodini (MDB) ocupe a vaga de vice, com o grupo buscando um nome único e consensual para a disputa ao Senado — uma estratégia para evitar a dispersão de votos contra a máquina governista.
Como observador da política catarinense há décadas, a pergunta que fica é: o cenário encaixou cedo demais? Na política, o que se consolida com muita antecedência corre o risco de "desencaixar" sob o calor das convenções de agosto. Até lá, o que vemos é um governo fortalecido numericamente, mas desafiado pela própria ambição, e uma oposição que, pela primeira vez em muito tempo, parou de bater cabeça antes da hora. O Portal Litoral Mais seguirá atento aos próximos movimentos deste xadrez.

Política em foco
Upiara Boschi é um jornalista com vasta experiência e reconhecida atuação na cobertura política de Santa Catarina. Com uma carreira consolidada, tornou-se um dos principais nomes na análise dos bastidores do poder no Estado, sendo referência para o público e para a classe política. Atualmente, mantém seu próprio portal de notícias, o upiara.net, e é comentarista em veículos parceiros, como o Grupo ND e a Rádio Eldorado, de Criciúma. Ao longo de sua carreira, Upiara Boschi se destacou pela apuração rigorosa, pela análise aprofundada dos cenários políticos e pela capacidade de traduzir os complexos movimentos do poder para o grande público. Seu trabalho é caracterizado pela busca constante por informações exclusivas e pela contextualização dos acontecimentos, oferecendo aos seus leitores e espectadores uma compreensão mais ampla da política catarinense.
Av. Marcolino Martins Cabral, nº 2238 – Sala 02, bairro Vila Moema, CEP 88705-000, Tubarão - SC
Fone: 3192-0919
E-mail: [email protected]