Hoje, o destaque vai para um dado que chama atenção: 59% das empresas admitem utilizar a inteligência artificial como justificativa para desligamentos.
A informação vem de uma pesquisa realizada com mil gestores nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, esse tipo de argumento costuma ser melhor recebido por investidores, o que levanta um ponto importante sobre a forma como as empresas estão comunicando suas decisões.
Mas quando a gente olha mais de perto os números, a realidade parece um pouco diferente. Apenas 9% das companhias afirmam que a tecnologia realmente substituiu completamente funções. Ou seja, de mil gestores, cerca de 90 relatam uma substituição efetiva.
Por outro lado, 45% das empresas dizem que a inteligência artificial teve pouco ou nenhum impacto nas operações. E mais: 92% ainda pretendem contratar ao longo de 2026. Isso mostra que o cenário não é de substituição em massa, como muita gente imagina.
Na prática, o que pode estar acontecendo é o uso da IA como uma justificativa mais “aceitável” para cortes de custos. Afinal, demissões motivadas por dificuldades financeiras costumam gerar impacto negativo no mercado, afetando a imagem da empresa e até o valor de suas ações.
Quando a decisão é associada à tecnologia, a narrativa muda. Parece inovação, modernização. Mas nem sempre reflete a realidade do que está acontecendo dentro das empresas.
É claro que a inteligência artificial já está transformando diversos setores, e isso é inevitável. Algumas funções, sim, tendem a ser substituídas ao longo do tempo. Mas afirmar que a IA já consegue suprir toda a demanda, especialmente em áreas como desenvolvimento, ainda está longe da realidade.
Inclusive, já vimos casos em que a dependência excessiva de IA gerou falhas importantes, com prejuízos operacionais e até perda de dados.
O que eu acredito — e aqui vai a reflexão — é que os empregos não serão substituídos simplesmente pela IA, mas por profissionais que sabem utilizá-la de forma estratégica. A tecnologia vem para acelerar processos, não necessariamente para eliminar pessoas.
Então fica o alerta: nem toda demissão atribuída à inteligência artificial tem, de fato, a tecnologia como causa principal. É importante olhar além do discurso e entender o contexto.
A IA vai evoluir? Vai, sem dúvida. Mas, pelo menos por enquanto, ainda não estamos diante de uma substituição total — e sim de um cenário em transformação.

Espaçotec
Especialista em Sistemas de Informação, certificado pela Google e Oracle, com mais de 25 anos de experiência em tecnologia. Pós-graduado em Redes, Engenharia de Software e Gestão Empresarial, é professor há mais de 15 anos e colunista do Espaçotec. Atua como mentor, líder técnico e educador, ajudando pessoas e empresas a crescerem com organização, planejamento e inovação. Apaixonado por eletrônica, une prática e criatividade em tudo o que faz.
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